Enquete 675- Enterro como ato didático

Independente de aspectos teológicos – ressurreição, por exemplo- , artigo recente publicado no The New Bioethics by Toni C. Saad opina contra a cremação, O autor Toni C. Saad  valoriza o cemitério como uma necessária memória entre gerações, didática sobre a existência do ser humano no tempo e no espaço, inclusive na promoção da saúde psíquica da comunidade:   “… O enterro trata o corpo de uma maneira que promove o melhor sentido antropológico, pessoal e intuitivo, respeita o falecido e presenteia a comunidade com um rico inventário de memória. O enterro capacita a morte a estar conosco mas a uma distância segura, permitindo aprender tudo que dela precisamos saber  e viver bem  com sua consciência. A morte deve ser, então, didática…” https://www.bioedge.org/bioethics/let-death-be-didactic/12507

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Enquete 673- Aborto na Constituição

Em 8 de novembro de 2017, uma comissão especial da Câmara dos Deputados  recomendou que seja incluída na Constituição brasileira que a vida começa na concepção, o que restringiria o aborto nos casos atualmente considerados legais http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/11/1933899-comissao-da-camara-aprova-regras-mais-duras-para-aborto-no-pais.shtml

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Enquete 672- Gestação de substituição pela filha

Pela Resolução CFM nº 2.168/2017, passa a ser ética a participação do médico no processo de cessão temporária do útero -gestação de substituição (barriga solidária)-  por  uma filha para sua mãe- desenvolvimento de um irmão (irmã) http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=27275:2017-11-09-13-06-20&catid=3

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404- Inovação no mundo real da beira do leito

É crescente a frequência com que se criam  novos métodos – ou aperfeiçoamentos nos existentes- na Medicina contemporânea. São inovações diagnósticas, terapêuticas e preventivas.  Entretanto, a estrutura de pesquisa que os testaram  e concluíram  pela validade, utilidade e eficiência não tem total alcance sobre os efeitos, o que poderá determinar sobre órgãos e sistemas, quer isoladamente, quer em interação com demais métodos.

Da complexidade surge o valor da Bioética para o apoio a uma vigilância imprescindível. Ela  compreende as chamadas curva de aprendizado profissional e fase de mercado. O denominador comum é o tempo, que forma memória sobre as experiências.

Por isso, a síndrome do último artigo publicado é perigosa. Ela é contagiante, entusiasma pela  sensação de expansão do poder de resolução. Todavia, é um caminho de pedágios de um mundo real que não necessariamente aconteceu nas observações preliminares em função de necessidades de métodos de estudo, como critérios de inclusão e de exclusão.

Tudo isso significa que já a fase assistencial porque validada admite um sentido de pesquisa de âmbito observacional, quer em busca de ajustes de foco, quer determinando a desistência de utilização. A história da Medicina é rica em exemplos marcantes, inclusive aquele de uma consideração inicial de adversidade -hirsutismo- tornar-se maior utilidade do que a indicação original para uso- minoxidil.

Pelo habitual cenário de embates entre cenários de unanimidade (positiva ou negativa), visões divergentes e pequenas diferenças de posições  sobre inovações em Medicina, é essencial que o  médico da beira do leito  saiba que é um pesquisador do mundo real, responsabilidade que lhe exige reflexão abrangedora, indagativa e autônoma sobre perspectivas possíveis, ou seja, que fique atento ao ainda não bem conhecido.

Não se bastar a uma recepção passiva de informação da novidade é um dos pontos de destaque da Bioética da Beira do leito.

403- Técnica e moralidade

Dar-se conta que a beira do leito convive hoje com cinco gerações de médicos é um preito e um instrumento da Medicina, reflete longevidade pessoal e profissional e promove intercâmbios apropriadores e harmonizadores em meio a despertar de exemplos e a acalantos  de nostalgia.

Os médicos com números mais baixos de CRM, devido ao acúmulo das vivências de desafios morais na beira do leito podem exercer um poder moderador sobre o comportamento dos mais jovens.  Há os que se dispõem a tal exercício de coleguismo hipocrático, mais frequente de maneira mais ocasional e não sistematizada, menos comum de modo organizado, como na conciliação de interesses dentro de uma equipe.

Se é fato tradicional que a geração precedente educa a seguinte, na beira do leito da presença de multiplicidade do período da formação na Faculdade provoca duas vias de direção de aprendizados. A atualização precisa correr atrás do progresso incessante.

Deste modo persiste a tradição do conhecimento propagado via oral do tipo mestre para discípulo – melhor dito atualmente colega para colega- entre médicos no quesito atitude respeitosa na inter-relação com a Medicina e seu constante progresso e com o paciente e seus sequentes movimentos sócio-econômico-culturais. Pois, assim como o paciente ensina o médico a ser profissional, a geração mais nova auxilia as mais antigas na compreensão de características mais atualizadas da sociedade.

A utilização cotidiana da técnico-ciência na área da Medicina é a forma eficiente de ser médico atualizado e livrar-se de certos vícios de formação. De modo semelhante, participar de um Comitê de Bioética proporciona visão mais clara do mundo real da condição humana que permeia a conexão médico-paciente contemporânea.

Num Serviço organizado, universitário ou não, o aspecto técnico costuma valer-se de uma estrutura vertical, uma carreira com ascensão relativamente rápida onde um Residente vai ascendendo no numeral, vira preceptor e logo adquire status de assistente. O grande impulsionador chama-se vontade – desejo+ação. Todavia, esta força propulsora não acontece – ou acontece timidamente- em relação ao enfronhamento em temas morais relacionados à utilização de uma Medicina cada vez mais necessitada de reflexões sobre o significado de aplicação de um ser humano a outro ser humano.

Neste sentido, visando ao acolhimento, a realidade quantitativa atual dos Comitês de Bioética (baixo número) precisa ganhar impulsos motivadores. Os profissionais mais velhos estão ocupados com sua rotina de atendimento assistencial estabelecida e os mais novos com a construção do dia-a-dia almejado- o mesmo vale para os que se dedicam à pesquisa.

A análise das perspectivas morais envolvidas mostra-se superficial, embotada pela utilidade da técnica e embutida num auto-convencimento que se atua pelo bem, que não há nenhuma intenção de dano, que não se infringe o Código de Ética Médica -não necessariamente com familiaridade com a centena de artigos.

Técnica e moral estão intrinsecamente relacionados na beira do leito, uma conexão que, em última instância, influência o prognóstico- do caso, da imagem do médico/Medicina na sociedade e do rigor científico em meio a premências de aberturas e tolerâncias no processo de consentimento pelo paciente. Na agenda contemporânea da beira do leito não cabe mais boa técnica aplicada sem a correspondência da moralidade.

Como acrescer vontade aos médicos que priorizam a sua evolução técnico-científica para dedicar algum tempo à valorização de apreciações metafísicas sobre aplicação profissional respeitosa ao gosto da Bioética? É desafio que persiste vivo na interminável construção, desconstrução e reconstrução da ponte para o futuro idealizada por Van Rensselaer Potter, que cada vez mais se assemelha ao mito de Sísifo em função das mudanças aceleradas da Medicina e da sociedade.

Enquete 671- Gestação de substituição em casal homoafetivo

Pela Resolução CFM nº 2.168/2017 passa ser ética a participação do médico no processo de gestação compartilhada onde  o embrião obtido a partir da fecundação de oócito(s) de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira, ainda que não exista diagnóstico de infertilidade http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=27275:2017-11-09-13-06-20&catid=3

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Enquete 670- Aplicativo e familiar de paciente internado

O uso de aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz é crescente na relação médico-paciente. Familiares de paciente internado utilizam-no objetivando atualizar informações diretamente do médico responsável.

É ético o médico manter a família informada sobre a evolução do paciente por meio de aplicativo?

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402- Um Bem bom para quem?

Temos um vivo interesse pelo processo de tomada de decisão na beira do leito, suas lideranças, seus instrumentos, suas responsabilidades, seus efeitos reais. A Bioética da Beira do leito sustenta uma análise crítica do desenvolvimento que adquire distintas facetas em distintas especialidades médicas, ambientes e influências sócio-econômico-culturais.

Influenciada em sua origem por males sofridos por um ser humano nas mãos de outro ser humano, pretendendo um status moral apreciável, A Bioética da Beira do leito preocupa-se com a resposta à indagação essencial da beira do leito: Um Bem passível de ser eticamente proposto é bom para quem?

Em Medicina, há inúmeros métodos classificáveis como um Bem para a preservação ou recuperação da saúde. Todavia, cada um deles pode ser ou vir a ser uma boa ou má aplicação numa dada circunstância de atenção às necessidades da saúde. Assim, em Medicina ética inexiste um Mal.  Há um Bem que tem o potencial de ser mau instrumento em dada situação, nem sempre passível da previsibilidade.

Desta forma, sob critérios estabelecidos com honestidade técnico-científica, métodos terapêuticos validados devem ser aplicados sob o racional de uma estratégia do Bem – bem planejado, bem constituído, bem aplicável. O progresso ininterrupto da Medicina encarrega-se de reduzir os hiatos entre o bem que recomendamos e o o bom resultado que almejamos, que, em ausência de imperícias, resulta de fatores individuais como estágio da doença e reações biológicas peculiares, e de fatores circunstanciais como os microbiológicos presentes no ecossistema da atuação profissional.

Se os princípios da Beneficência e da Não Maleficência guiam o entendimento objetivo do método como classificável em um Bem terapêutica para a situação clínica, com chance de se tornar bom para o paciente, o princípio da Autonomia – na vertente paciente- alerta que a visão técnico-científica de utilidade e eficácia necessita ser aceita pelo receptor- o paciente a ser respeitado na sua participação ativa no processo de tomada de decisão.

Portanto, há uma influência do saber do médico e do saber-se do paciente na via final do  andamento da decisão que é materializada como consentimento livre e esclarecido. São dois pesos consideráveis e inevitáveis, onde idealidades nem sempre podem ser seguidas porque não fazem sentido para uma das partes.

A relação médico-paciente é dinâmica e tem suas expansões e suas limitações. A constante reorganização da conexão médico-paciente, planejamentos em constante articulação com afinidades e contraposições, é objeto do interesse da Bioética da Beira do leito.

401- Sintomas, sinais e consentimento pertencem ao paciente

O médico extrai sinais e sintomas do paciente sem provocar alterações nos mesmos e desta maneira os utiliza como matérias-primas para uma transformação curativa, controladora, paliativa ou preventiva de doença.

Extrair sintomas requer conversa, extrair sinais exige exame físico e por métodos complementares. Vale dizer, o atendimento às necessidades de saúde do paciente demanda um período de tempo que podemos, idealmente, qualificar como justo ao se ajustar às circunstâncias.

Um destacado período de tempo é o que vai do início do diagnóstico até o início da terapêutica quer sintomática, quer provisória, quer definitiva.

Pela ética da responsabilidade, a boa intenção não é suficiente, é essencial considerar as consequências da conduta tanto quanto possamos prevê-las, ou seja, exercer a  prudência – fidelidade ao futuro- para sustentação ética. Como a Medicina apoia-se nos métodos a serem aplicados que tragam mais chance de bons resultados sem os garantir em face de peculiaridades biológicas, o processo de tomada de decisão no contexto da relação médico-paciente é uma sequência  de apreciações objetivas e subjetivas da relação benefício(coletivo)/não malefício(segurança individual) temperada pelo respeito à autonomia – do paciente e do médico.

É dever do médico hierarquizar no esclarecimento ao paciente sempre que possível as condutas diagnósticas, terapêuticas e preventivas com vantagens sobre riscos de adversidades. Todavia, uma recomendação menos vantajosa pelo conhecimento atual relacionada num segundo plano de proposição pode ser a preferida pelo paciente.

Cada médico tem sua reação ao não consentimento que se contrapõe a sua vontade de aplicação. Qualquer que seja ela, é capital construir uma narrativa detalhada = diria didática=sobre o seu raciocínio clínico empregado e sobre a manifestação do paciente na evolução do prontuário do paciente. E muito importante, sem nenhum juízo moralizante.