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1842 – Bioética da Beira do Leito: a dúvida como instrumento de maturação profissional (Parte 7)

  1. Diálogo, pluralidade e o antídoto ao “magister dixit”

Considerei sempre, graças a ensinamentos proporcionados pela boa convivência, que rigor e flexibilidade precisam coexistir no meio científico. Nunca aceitei o rígido, não dialógico e professoral Magister dixit e seu compadre, carente de provas, Ipse dixit. A dupla mestre inquestionável/“é exatamente isso” resulta prejudicial às interações entre tradição e inovação a respeito da medicina, haja vista que ciência está sempre inacabada e correndo atrás de cenários mutantes. 

A Bioética da Beira do Leito realça que diretrizes clínicas não são algemas, mas sim bússolas — um waze mais atual. A aplicação altamente pertinente das diretrizes precisa afastar-se de qualquer analogia com o ventríloquo e seu boneco. Faz pensar: quem deve controlar a voz de quem? 

Instrumento essencial da convivência na beira do leito, o diálogo bem intencionado, por sua reciprocidade com autenticidade, promove uma interpessoalidade de respeito e de confiança. Bons diálogos conectam pensamento e linguagem, rejuvenescem a mente e evitam mofo nos neurônios. A Bioética da Beira do Leito adota o diálogo como essência e hierarquiza a chave simples e arguta da boa conversa que abre as portas da mais adequada compreensão entre interlocutores. 

  1. O caso APF: consultoria, pertencimento e crise existencial no noviciado

Renovei o entusiasmo quando recebi um telefonema no celular, um número desconhecido. O interlocutor apresentou-se como um jovem médico. Pareceu-me, à teledistância, apreensivo e irritado. Solicitava uma reunião revelando uma determinação suplicante. Aquiesci. Agradeceu muito e pretendia que fosse marcada… para ontem. 

Após desligar, apostei comigo mesmo que uma primeira dúvida teria se dissipado e iniciara o processo de já se imaginar aproveitando a oportunidade de tirar as outras dúvidas originais. Porque agora se instalavam novas dúvidas a reboque de pensamentos como “quem sabe dirá isso”, “quem sabe dirá aquilo”, “sairei da reunião melhor?”, “pior?”, “frustrado?”. Respostas proféticas a estas interrogações não ficam visíveis numa imaginária bola de cristal, que costuma ficar embaçada em tais circunstâncias. 

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