- Bioética e tecnociência: do berço conceitual às inquietações do futuro
Bioamigo, sabemos como o desenvolvimento do ser humano após o primeiro choro é cheio de dúvidas. Pelas obscuridades, alimentam cartomantes, quiromantes, profetas, videntes e até retroalimentam Nostradamus (1503–1566), que, diga-se de passagem, era médico. Muitas dúvidas no contexto da saúde foram eliminadas pela tecnologia pré-natal. Tantas outras se pretende pelo genoma. Mas nem a boa educação isenta sobre dúvidas de como o interior de cada um de nós reagirá aos impactos do exterior. Por exemplo: os impactos do sedutor progresso da tecnociência sobre a dignidade humana, cheios de dúvida; novidades que muitas vezes só permitem olhar pelo buraco da fechadura. Alô, Bioética!
A Bioética de Paul Max Fritz Jahr (1895–1953), baseada na filosofia clássica, e a de Van Rensselaer Potter (1911–2001), articulada com o pluralismo moral, comungaram dúvidas sobre o futuro da humanidade — e de todas as formas de vida — frente ao progresso tecnocientífico. Ambos trouxeram a mensagem de que dúvidas não devem imobilizar.
Não podemos esquecer Arthur Schopenhauer (1788–1860): Toda verdade passa por três estágios: primeiro, é ridicularizada; a seguir, é violentamente contraposta; e, finalmente, aceita como autoevidente. As contradições da condição humana refletem-se, evidentemente, na beira do leito. A Bioética da Beira do Leito valoriza a base moral que, alicerçada pela sabedoria e pela força de vontade, faz os atos, apesar das dúvidas, corresponderem aos princípios éticos.
