- Hipócrates: exemplo, legado e a hereditariedade profissional
No intuito de privilegiar virtudes e até mesmo suavizar vícios — estes abrangendo o sentido figurado —, focando na obrigatoriedade de cursar uma rota entre medicina e paciente e disposto a afiançar-me agente moral da conexão, a literatura ajudou-me a conhecer e reconhecer exemplos, os essencialmente bons e maus. Meu pai repetia que o valor do livro e o significado de livre só diferem mesmo na vogal final.
Para mim, Hipócrates (460–370 a.C.) sobressai exemplar entre os Grandes Homens da História Universal. Um pequeno busto de mesa, adquirido na sua Grécia natal — embora saiba que é uma representação fictícia de sua real aparência —, auxilia-me a fixar os olhos e sentir-me confortável para me inspirar e facilitar movimentações do pensamento. Hipócrates sobrevive, alimenta, é memória, é criação. Hipócrates é um bioamigo emérito.
Hipócrates resolveu dúvidas e criou outras que deixou de herança, matérias-primas indispensáveis para o desenvolvimento da medicina. Como reforça Yuval Noah Harari (nascido em 1976) em Sapiens: o avanço da ciência deve-se à conscientização de que os humanos não têm as respostas para suas perguntas mais importantes, o que hierarquiza a ignorância como fonte inspiradora da busca do conhecimento.
