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1847 – Comunicação na beira do leito: não é opcional, é mandatório (Parte 4)

Autonomia e paternalismo não são inimigos

A Bioética da Beira do Leito rejeita soluções simplistas. Por isso, muitos médicos não a entendem, o que até se justifica quando nos lembramos que plexus significa dobras e cada caso precisa ser desdobrado ou seja “descomplexado” ou simplificado. Uma coisa é tecnociência, outra coisa é atitude, sabendo-se que competência é conhecimento+habilidade+atitude.

Autonomia não é sagrada em todas as situações. 
Paternalismo não é sempre vilão. 

Respeito e desrespeito admitem interpretações.

Existe o paternalismo forte, coercitivo. Esse não cabe etica e legalmente na beira do leito. 
Mas existe o paternalismo brando, empático, solidário. Esse, muitas vezes, é necessário, talvez mesmo imperioso dada a assimetria.

Quando o paciente diz que alguém é “um bom médico”, quase sempre há aí um componente paternalista saudável: cuidado, presença, proteção. Quando nos sentimos vulneráveis, o “desejo de retorno ao útero, ao seio da família” é poderoso.   

Reexplicar, acolher, dar tempo, ajudar a pensar não é abuso. É cuidado. 

Consentimento não é “assine aqui”

Nada é mais empobrecedor do que o “assine aqui” apressado.
Consentimento sem compreensão é só papel. Um “papelão” moral. Vira um documento de medicina defensiva.

O paternalismo brando combate isso.
Ele qualifica o Sim e respeita o Não.

A clínica mostra: quando tudo passa e o desfecho é bom, muitos pacientes agradecem justamente porque o médico não desistiu diante do primeiro “não”.  Inclui quem havia tentado se suicidar e agora tem a depressão substituída por animação.

No fim das contas

A conexão médico-paciente é uma das relações humanas mais complexas que existem.
Mistura ciência e emoção, razão e medo, técnica e vida real.

Autonomia e paternalismo brando caminham juntos.
Comunicar bem não é falar difícil.
É ouvir de verdade.
É não ser indiferente.

Porque, na beira do leito,
quem não se comunica…
você já sabe o resto.

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