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1845 – Comunicação na beira do leito: não é opcional, é mandatório (Parte 2)

Novos tempos, novas formas de conversar

A conversa não termina mais quando a consulta acaba. O diálogo se estende no tempo por meio de aplicativo de médico. É uma continuidade não presencial que se inclui na responsabilidade profissional.

Novos tempos, novos comportamentos, novas responsabilidades. O prontuário do paciente se estende no WhatsApp.

Uma dúvida inevitável: bom senso e equilíbrio bastam na comunicação médico-paciente? O famoso “Sim é Sim” e “Não é Não” é plenamente confiável no campo das respostas? Paciente mente? Médico exagera otimismos?
Ou a realidade é mais complexa? Cada vez mais com a expansão dos meios de comunicação?  Sem falar que comunicação inclui verbalização, vocalização e linguagem corporal. Palavras, tons de voz e gestos, em outras palavras. Nem sempre estão em harmonia. “Não gostei da cara com que o doutor me disse que estava tudo bem no exame…”.

Princípios ajudam — regras nem sempre resolvem

A Bioética da Beira do Leito valoriza os princípios justamente porque eles admitem nuance. Eles orientam, mas permitem – e exigem – leitura conforme a situação.

Regra é diferente. Regra é cumprir ou descumprir.
Exemplo clássico: a regra do pré-operatório exige reserva de sangue. Mas quando um paciente Testemunha de Jeová recusa uma ideia de transfusão, a regra entra em choque com o princípio da autonomia. Não é simples. Exige diálogo e interpretação ética.

Comunicar é perscrutar

Comunicação na conexão médico-paciente não é despejar informação. É perscrutar.
É investigar, perguntar, tentar esclarecer/entender o que está por trás das palavras.

Cena comum: o médico, diante do paciente e do familiar, vai iniciar a explicação da conduta depois de fechar um diagnóstico bem sustentado.

O clima se forma. Às vezes calmo. Às vezes tenso.
Cada palavra muda a “atmosfera”.

A anamnese mostra isso com clareza. Ela não é só o começo da consulta. Atravessa todo o cuidado. Cada explicação, cada autorização, cada ida e volta faz parte dela.

Diálogo, não monólogos paralelos

Medicina não é ciência exata lidando com números. É ciência imperfeita que lida com pessoas.
Por isso, monólogos sobrepostos não funcionam numa continuidade.

Humanizar a medicina exige diálogo verdadeiro.
O difícil é definir o que é um diálogo realmente eficaz, sincero e honesto.

A Bioética da Beira do Leito costuma lembrar o valor do “C”: Ciência, Comunicação, Clareza, Compreensão, Competência, Compaixão, Cautela, Compromisso, Compartilhamento, Cuidado contínuo… e Caráter.  Concorda?…

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