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1837 – Bioética da Beira do Leito: a dúvida como instrumento de maturação profissional (Parte 2)

  1. Bioética e beira do leito: integrar, equilibrar, amadurecer

É sempre desejável aperfeiçoar o que já se faz: cuidar da constante revisão da moralidade dos comportamentos, entendida em relação a regras e valores em pauta. Por isso, a utilidade do compromisso com oportunas flexibilidades do comportamento por razões do sentido de self, da identidade coletiva, de aspectos culturais e de normas morais. 

A Bioética, consolidada na Declaração Universal em Bioética e Direitos Humanos das Nações Unidas (2005), coopera para forjar a organização intelectual do médico que faça integrar e equilibrar habituais ausências de única resposta correta na beira do leito. Contribuição que facilita pensar com abrangência e profundidade em meio às ansiedades clínicas e éticas, objetivando distinguir entre decisões cientificamente validadas e clinicamente necessárias; decisões cientificamente validadas e clinicamente desnecessárias; e decisões antinaturais e desnecessárias. 

Bioamigo, foi na Idade Média que Guglielmus de Saliceto (1210–1277), da Universidade de Bolonha, cunhou o termo “beira do leito” para uso na medicina. Designou esta verdadeira sala de aula como o local da manifestação da integridade do médico, da imprescindível expressão de valores e princípios morais. 

A minha beira do leito é a que faço dela! É expectativa do recém-formado sobre a nova vida, agora profissional. Não estou mais achando que posso fazer a minha beira do leito! É frustração que não demora. Como disse Galileu Galilei (1554–1642): Cuidado com a verdade que se pretende maior que a realidade. 

A oscilação da ideia sobre o pertencimento à beira do leito é típica do recém-formado durante a Residência médica, pois como disse Clarice Lispector (1920–1977): Antes de eu começar a pensar eu sabia muito bem o que eu sabia. O vacilo, aliás, é muito bom por acontecer justamente no período adequado para experiências evolutivas. Certezas idealizadas no noviciado precisam virar um quantum de dúvidas forjadas pelo processo de maturação profissional; de outro modo, se tudo na conformidade preconcebida, algo não caminha bem e os becos sem saída estão logo ali. 

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