433- Médico e paciente são seres humanos e a Medicina não é uma ciência exata

Médico e paciente são seres humanos e Medicina não é ciência exata. Pessoas e saberes estão sempre em evolução, sensíveis ao passado, atentos ao presente e ansiosos pelo futuro. Redescobrem-se, re-inventam-se, renovam-se e, principalmente, reajustam-se. Gente envelhece, gente nasce. Ciência dura, ciência inova. A maturidade qualifica cientistas para gerar novidades. A produção acresce qualidade à humanidade. Ciência e humanismo.

Médicos  éticos  possibilitam aos pacientes movimentarem-se na Medicina validada e recomendada mas não isenta de riscos biológicos pela faixa de segurança. Fazem, essencialmente, por meio de ajustes da beneficência conceitual da ciência às individualidades de cada paciente.

No ecossistema da beira do leito de tantas interações entre o humano e a ciência, a perfeição representa um caminho  que se deve escolher mas não é o destino. Fala-se, mais apropriadamente, em boas práticas de reconhecimento universal,  esmero pelo eticamente correto. Ouça-se, como decodificação: compromisso com a seleção prudente e a aplicação zelosa de métodos visando as mais altas chances da obtenção do melhor resultado almejado.

Pense, bioamigo, num método diagnóstico ou terapêutico com alto impacto na condução do caso e influência real sobre o prognóstico. Há grande probabilidade de ele ter entrado na rotina há menos que 40 anos e que a sua introdução representou uma reversão do niilismo até então existente para inúmeras necessidades de saúde do paciente.

Convive-se com cura, estabilidade clínica, insucesso e paliação, previsíveis ou não. Tratamento e prevenção muitas vezes se confundem. Assim como misturam-se limitações da Medicina frente às complexidades da história natural das doenças e das condutas com intenção eliminadora ou controladora com desacertos do médico.

É maravilhoso! O paciente tem o seu corpo invadido por fármacos, por instrumentos, fica submetido a artifícios e se recupera com a eliminação do mal. O controle chama-se competência profissional – conhecimento, habilidade e atitude- para que o bom prognóstico aflore de uma conduta bem decidida, vale dizer, respeitosa das evidências,  cautelosa sobre adversidades e alerta sobre imprevisibilidades e desconhecimentos.

Cada condição clínica tem seus objetivos primários e secundários determinados, essencialmente, pela preocupação com a qualidade de vida.  Cada paciente a entende a sua maneira, inclusive na intensidade do conformismo com a convivência com doenças. O realismo do médico em função do seu saber de ofício pode ou não ser aceito integralmente pelo paciente. Situações difíceis de serem beneficiadas  pela Medicina são propensas a frustrações de   expectativas humanas embora irrealistas. Na circunstância onde a utilidade da Medicina torna-se futilidade, o paciente dá asas à imaginação, constrói analogias de areia, faz brotar fantasias. Terreno propício para a transferência das limitações da Medina que são os limites do médico ético para um contexto de imperícia do médico.

Houve um erro! Um erro comigo! Para muitos pacientes com doenças  ainda desafiadoras do benefício da Medicina   fica mais fácil de lidar  com a ideia de culpa do médico que não foi prudente ou zeloso. A beira do leito migra para a beira

Médico e paciente são seres humanos e a Medicina não é uma ciência exata. A Bioética da Beira do leito ajuda a compreender o impacto bio-psico-social desta realidade na beira do leito com má evolução clínica que não é causada por erro profissional.

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