402- Um Bem bom para quem?

Temos um vivo interesse pelo processo de tomada de decisão na beira do leito, suas lideranças, seus instrumentos, suas responsabilidades, seus efeitos reais. A Bioética da Beira do leito sustenta uma análise crítica do desenvolvimento que adquire distintas facetas em distintas especialidades médicas, ambientes e influências sócio-econômico-culturais.

Influenciada em sua origem por males sofridos por um ser humano nas mãos de outro ser humano, pretendendo um status moral apreciável, A Bioética da Beira do leito preocupa-se com a resposta à indagação essencial da beira do leito: Um Bem passível de ser eticamente proposto é bom para quem?

Em Medicina, há inúmeros métodos classificáveis como um Bem para a preservação ou recuperação da saúde. Todavia, cada um deles pode ser ou vir a ser uma boa ou má aplicação numa dada circunstância de atenção às necessidades da saúde. Assim, em Medicina ética inexiste um Mal.  Há um Bem que tem o potencial de ser mau instrumento em dada situação, nem sempre passível da previsibilidade.

Desta forma, sob critérios estabelecidos com honestidade técnico-científica, métodos terapêuticos validados devem ser aplicados sob o racional de uma estratégia do Bem – bem planejado, bem constituído, bem aplicável. O progresso ininterrupto da Medicina encarrega-se de reduzir os hiatos entre o bem que recomendamos e o o bom resultado que almejamos, que, em ausência de imperícias, resulta de fatores individuais como estágio da doença e reações biológicas peculiares, e de fatores circunstanciais como os microbiológicos presentes no ecossistema da atuação profissional.

Se os princípios da Beneficência e da Não Maleficência guiam o entendimento objetivo do método como classificável em um Bem terapêutica para a situação clínica, com chance de se tornar bom para o paciente, o princípio da Autonomia – na vertente paciente- alerta que a visão técnico-científica de utilidade e eficácia necessita ser aceita pelo receptor- o paciente a ser respeitado na sua participação ativa no processo de tomada de decisão.

Portanto, há uma influência do saber do médico e do saber-se do paciente na via final do  andamento da decisão que é materializada como consentimento livre e esclarecido. São dois pesos consideráveis e inevitáveis, onde idealidades nem sempre podem ser seguidas porque não fazem sentido para uma das partes.

A relação médico-paciente é dinâmica e tem suas expansões e suas limitações. A constante reorganização da conexão médico-paciente, planejamentos em constante articulação com afinidades e contraposições, é objeto do interesse da Bioética da Beira do leito.

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