A aplicação dos princípios da beneficência e da não maleficência exige atenção às particularidades de cada caso, capazes de influenciar a aplicabilidade das recomendações das diretrizes clínicas. Trata-se de um aprendizado em serviço. As condutas, idealmente formuladas para maximizar benefícios e minimizar danos, são reiteradas cotidianamente e, exatamente por isso, passíveis de contínuo aperfeiçoamento no modo de utilização.
O médico, ao decidir, reproduz conclusões validadas por pesquisas clínicas e, simultaneamente, reaplica sua experiência pessoal ou a experiência do serviço, em graus variados de superposição entre esses dois substratos.
Há situações clínicas em que o avanço da beneficência se apoia fortemente em pesquisas detalhadas sobre mecanismos etiopatogênicos — como em subtipos específicos de tumores —, nas quais o passo a passo da conduta é pouco opinativo. Em contrapartida, há cenários em que a beneficência é inferida predominantemente da experiência vivenciada, seja pela escassez de evidências sistematizadas, seja pela singularidade do caso. Em ambos, a arte de aplicar ciência permanece determinante para o sucesso clínico.
