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1979 -Bioética do Momento: Prudência, Incerteza e a Liberdade de Não Fazer (Parte 3)

Prudência individualizada versus Medicina defensiva

A constante atualização da literatura, conjugada à vivência crítica acumulada dos casos, orienta o médico ético à individualização das decisões como método de melhor atenção aos interesses daquele paciente concreto. Para isso, é necessário prudência — e vigilância para não descambar para a Medicina defensiva.

O dilema se torna particularmente evidente quando o médico opta por não realizar um procedimento invasivo amplamente aceito, priorizando estratégias de apoio funcional e farmacológico, como na opção por não implantar um stent em angina estável. Nesses momentos, as pressões são múltiplas: de leigos, da academia, da cultura institucional e da própria sociedade, fortemente influenciada pela visibilidade midiática de intervenções em celebridades.

Não é notícia que um artista famoso fará uso rigoroso de três medicamentos para reduzir risco cardiovascular; é notícia que ele foi submetido a uma intervenção anatômica.

Bioética do momento e liberdade ética

A tensão entre Medicina ética — prudente e orientada ao paciente — e Medicina intensa — defensiva e orientada à autoproteção do médico — constitui um dos temas centrais da Bioética da Beira do Leito.

Pensar uma Bioética do Momento implica estimular reflexões sobre como as incertezas presentes impactam os momentos futuros; desenvolver métricas que considerem a autenticidade da situação clínica; antecipar possíveis crises na continuidade da relação médico-paciente.

Cada médico é chamado a consolidar sua posição de consciência quanto à suficiência da prudência: sensível ao presente, mas fiel ao futuro. Essa postura sustenta objeções aos efeitos de manada e protege a integridade moral do profissional. Trata-se de um momento de liberdade ética — por vezes solitário — que pode ser compreendido como um esplêndido isolamento, não por afastamento, mas por responsabilidade.

Considerações finais

A Bioética da Beira do Leito não se limita a julgar decisões após seus desfechos. Ela se ocupa, sobretudo, da legitimidade do momento em que se decidiu, com as informações disponíveis, sob tensões reais e diante de seres humanos singulares. Reconhecer quando não era o momento pode ser tão ético quanto intervir — e, em certos casos, ainda mais.

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