A evidência científica reduz incertezas na aplicação dos princípios da beneficência e da não maleficência, mas não as elimina. Assim, a opinião médica não se opõe à verdade científica na beira do leito e tampouco se confunde com achologia. Trata-se da opinião construída sobre experiência efetivamente vivenciada, historicamente, na principal sala de aula da Medicina: a própria beira do leito.
Os benefícios atribuídos à experiência não são ilusórios, embora se reconheça que, em algumas situações, possam ter ocorrido apesar do método, e não em função dele — daí o valor da estatística e dos estudos sistematizados, sem olvidar que seus níveis de confiança jamais alcançam 100%.
Angústias e dúvidas decorrentes da heterogeneidade fisiopatológica e das respostas individuais às terapias sempre habitarão a prática clínica, ainda que recomendações apoiadas por inteligência artificial se tornem predominantes. A discussão permanece parte integrante do processo decisório, dificultando qualquer noção de verdade coercitiva na conduta terapêutica.
