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1844- Comunicação na beira do leito: não é opcional, é mandatório (Parte 1)

Na beira do leito, ao contrário de algumas situações, o silêncio não costuma fazer bem. Quando médico e paciente deixam de falar e de ouvir, algo essencial da medicina simplesmente desaparece.

Isso não é novidade entre nós. Desde 1929, o primeiro Código de Moral Médica no Brasil  já manifestava essa preocupação: o paciente precisa contar, com clareza, o que sente e o que acha que está acontecendo. Guardar informação só atrapalha. Comunicação faz parte do cuidado.

E, anos depois, o Velho Guerreiro resumiu tudo numa frase imortal: “Quem não se comunica, se trumbica!”
Chacrinha quase foi médico, cursou dois anos de faculdade. Talvez por isso tenha acertado tanto.

Medicina é coprodução

Por mais avançada que seja a tecnociência, ela nunca resolve tudo sozinha. Sempre há espaços. E quem preenche esses espaços inclui o paciente. Palavra, escuta e troca fazem parte do tratamento. Desde o Oráculo de Delfos que Hipócrates (460 aC – 370 aC) aposentou para o “exercício da medicina”.

A ideia de uma fórmula única, total, que dê conta de qualquer conexão médico – paciente não se sustenta. Os efeitos humanos do uso, do não uso — ou do uso excessivo — dos métodos são amplos demais. Por isso, na prática clínica, é essencial segundo a Bioética da Beira do leito:

  • falar,
  • ouvir,
  • ouvir-se falando (para não dominar o diálogo, tornando-o monólogo),
  • e perceber se está mesmo ouvindo (para não se distrair).

A Bioética da Beira do leito enfatiza que o atendimento começa habitualmente com o médico ouvindo a queixa principal e a anamnese livre e que já na anamnese complementar dirigida é importante ouvir-se falar e ouvir-se ouvir. O cuidado amplia-se, por exemplo, quando da recomendação diagnóstica, terapêutica ou preventiva. 

A Bioética da Beira do leito alerta que o médico precisa treinar para os pensamentos que costumam acontecer  a partir das falas do paciente em qualquer ocasião não comprometa a atenção dialógica.    

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