Ulisses pediu para ser amarrado ao mastro do navio que navegava onde poderia ouvir o canto das sereias – as cordas poderiam ser figuradas como tendo o espírito da Bioética na composição. Infelizmente, casos de má conduta de médicos, inclusive renomados, são revelados de vez em quando e uma máscara de monstro passa a dominar a imagem do profissional.
É realidade que alerta sobre certas dificuldades humanas de conciliar obra e autor, como rejeitar padronizações bem qualificadas tão somente porque advindas de malvistos. É comportamento que pode comprometer a excelência da prática da medicina, quer por vaidade – como uma vaidade incompetente -, quer por arrogância – como uma arrogância imprudente.
A Bioética como uma realização consciente surge apenas no século XX – atinge o centenário em 2027 -, e rapidamente ganha musculatura a partir de retrospectivas, como reação a maus feitos, como intenção de construir entendimentos para evitar autoritarismos, coerções, danos à natureza. Procura se qualificar para bem atapetar o progresso tecnocientífico, contestando, especialmente que certos males provocados com indiferença com o humano – a poucos – poderiam justificar novos conhecimentos úteis – para muitos. O Relatório Belmont (1978) elaborado pela National Commission for the Protection of Human Subjects of Biomedical and Behavioral Research é marco histórico que dá autoridade planetária à Bioética.
Da pesquisa clínica para a assistência, beneficência é objetivo imperioso, não maleficência se esquiva dando lugar a irritantes inevitáveis e autonomia não pode ser excluída em tomadas de decisão no ecossistema da beira do leito.
Benefício, não malefício e consentimento sustentam escolhas resumíveis em Sim ou Não, efeitos da aplicação de princípios da Bioética que regulam o que deve ser efeito e o que não deve ser feito sob ordenação ética, moral e legal.
Aspectos atualíssimos da conexão médico – paciente operante no ecossistema da beira do leito, expressões maiores do exercício da medicina entre humanos, incluem possibilidades de desconexões entre os significados dos princípios da beneficência desde o médico e da autonomia desde o paciente.
