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1808 – Um modo Bioética de enxergar a tecnociência aplicada ao paciente (Parte 10)

As quedas de conexão quando os dois elementos da relação ficam enredados num hiato devem ser apreciadas como manifestações de distintos pensamentos ou de distintos sentimentos? Por parte do médico, a apreciação da sua recomendação que é recusada pelo paciente deve situá-la como resultante de um pensamento ético ou de um sentimento moral? De ambos? Qual deles favorece o afastamento e qual deles é mais impositivo para o reatamento? O certo é que qualquer um deles impede que o médico dê de ombros quando a sente a recusa do paciente como um golpe na sua autoestima.  

Pensar é abrangente, faz ver os lados da questão, sentir é restrito, reducionista, etiqueta, marginaliza a abertura e a tolerância, muito embora tende a isolar a opinião em si, evita julgar o outro. Desconexões entre o absoluto do prognóstico formulado pela tecnociência via médico e motivadora da beneficência e o absoluto do desejo do paciente respaldado no direito ao princípio da autonomia ao comprometerem a idealidade do padronizado – medicina baseada em evidências – são munição em maior ou menor escala para conflitos em função do predomínio ora do predomínio do pensamento ético articulado à deontologia ora do sentimento moral articulado ao humanismo.

Método tecnocientífico indicado e não aplicado sem justificativa aceitável causa uma avaliação de negligência profissional quando ele está consentido pelo paciente. De modo oposto, a situação é considerada prudência profissional quando ele não é consentido pelo paciente. Cada caso admite discussões que costumam trazer duelos entre opiniões divergentes, de um lado a força do nível de gravidade da situação clínica e o risco à sobrevida e de outro a força do direito do paciente de se recusar a ser submetido. 

Neste contexto, recentemente, um parecer do Supremo Tribunal Federal considerou que a recusa de paciente Testemunha de Jeová a receber transfusão de sangue deve ser respeitada pelo médico ainda que sob risco de morte. A Bioética da Beira do leito entende que a ressalva salvo em caso de iminente risco de morte constante em artigos do Código de Ética Médica vigente fica, por isso, sujeita a ser apontada como inoperante qualquer que seja situação clínica.

É curioso como conexões médico – paciente que ocorrem na atualidade do ecossistema da beira do leito estruturam-se com simultaneidade entre estímulos ao exercício da autonomia pelo paciente e desestímulos ao  comportamento autônomo do médico, acorrentado que o profissional fica ás atualizações de diretrizes clínicas.

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