Médico é ser humano que aplica seu caráter/personalidade/temperamento ao cotidiano do profissionalismo/profissionalidade. Desde Hipócrates (460 aC-370 aC) sucessivas gerações tendem a representar níveis cada vez mais elevados de competência em relação às prévias.
Mais apoio à saúde, mais combate à doença, mais chance de bem-estar, mais oportunidade de vida acrescida aos anos. Um entendimento alvissareiro sobre tecnociência que na prática, entretanto, embate com incessantes desafios sobre humanização.
Mais medicina, mais médicos, mais saúde, mais bem-estar não pode ser tão somente um slogan, uma conjectura organizacional, cada cidadão(ã) precisa ter a possibilidade de usufruir, idealmente quando houver impactos reais ou em potencial no corpo e/ou na mente. Miguel de Oliveira Couto (1865-1934) afirmou que não existe doença, existe doente, William Bart Osler (1849-1919) foi menos radical, mais eclético: O bom médico trata as doenças, o grande médico trata o paciente. Atualmente, a Bioética entende que o médico ético é aquele que se esforça para conciliar os princípios da beneficência, não maleficência e autonomia.
Pegando carona com Clarice Lispector (1920-1977) que disse que o óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar, doente é doente porque tem doença, o que impede que sejam dissociados, contudo, doença não impede que se possa entender que seu controle – portanto ainda presente o diagnóstico – permite considerar que há saúde e bem-estar. Assim, variantes atuais dos ditos configuram-se como há doenças e não necessariamente doentes e o bom médico controla as doenças a fim de evitar a sensação de doente.
O progresso da medicina se faz de forma continuada e, mais recentemente, muito mais acelerado e notavelmente diversificado. As responsabilidades do médico ganham constantes expansões e exigem as participações da Deontologia e da Bioética pelas inequívocas necessidades de conexões entre medicina, médico, paciente, instituição de saúde de sistema de saúde.
Percepções mais claras sobre saúde e bem-estar em meio a doenças que estão sob controle terapêutico evoluíram o conceito de saúde para habilidade de adaptação e autocuidado em relação a desafios sociais (participação e independência), físicos (proteção) e emocionais (lidar com estresse), ou seja, valorização da capacidade para reduzir danos e preservar equilíbrio entre oportunidades e limitações, vale dizer, reconhecimento dos resguardos de compreensibilidade, capacidade de gestão e significância da vida.
