Em decorrência, as circunstâncias de determinantes e componentes adquirem expressões maiores nos processos de fundamentação de tomadas de decisão acerca de saúde/bem-estar/doença. Interações cada vez mais amplas e densas entre bióticos e abióticos, fazem com que a beira do leito deva ser vista como um ecossistema onde pessoas desenvolvem propósitos e práticas de métodos de acordo com conceitos e normas. Uma característica é o predomínio da atuação em equipe, ao mesmo tempo em que é individual a responsabilidade do médico partícipe.
Se por um lado cada geração educa a anterior, por outro lado, cada nova geração acresce novidades. Diferenças contemporâneas no ser/estar/ficar médico ou paciente acontecem velozes, e, por isso, quem eventualmente “dormir” alguns meses, se for médico acordará desatualizado, se for paciente acordará menos esclarecido.
A continuidade conferida pela mescla de clássicos e inovações na área da saúde é complexa, o caráter pluridimensional e transdisciplinar requer muitos desdobramentos decisórios e aplicativos, desafios em meio a dilemas e conflitos a respeito da mais adequada maneira de associar o rigor exigido pela tecnociência, a abertura ao desconhecido e e a tolerância à contraposição de opinião.
Memória que permite a construção da experiência e imaginação que antevê as conveniências de suas próximas aplicações – projeta-se, por exemplo, controle da dor após aplicar a vivência com analgésicos – formam encontros do passado com perspectivas de futuro imprescindíveis nos processos de tomada de decisão com validade tecnocientífica. O passado ensina, armazena, filtra e o aprendido, internalizado, controlado é a contribuição do presente para o futuro. Pesquisa e prática assistencial assim sustentam a docência, a prescrição, o prognóstico. Tempo da faculdade, tempo da residência, tempo da maturação profissional que não deve transformar-se em escassez de tempo para as necessidades do paciente.
Adaptações de ser/estar/ficar médico a “novos tempos” são inevitáveis, de modo que novas gerações de médicos associam proporções variadas de virtudes – comportamento estoico – de dosagem da dedicação profissional de modo a não comprometer sua vida pessoal – comportamento epicurista – de comprometimento com distintas interpretações de dados e fatos – comportamento peripatético – e de atuação firme sem contudo deixar uma porta aberta a dúvidas, incertezas – comportamento acadêmico.
Com intensidade variada, desde sempre, gerações de médicos jamais deixam de manifestar preocupações com impactos indesejados de introdução de tecnologias, com riscos de danos de métodos emergentes sobre o ser humano, não somente sobre de quem cuidam, mas também sobre eles profissionais. Por isso, não podemos esquecer que tecnologias já bem adaptadas ao cotidiano da medicina em grande parte associaram-se a discussões sobre beneficências/maleficências para a vida. O valor do conhecimento crítico da história da medicina através dos tempos.
