3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

823- Uma (in)formação contínua (Parte 1)

O paciente chegou com uma queixa no consultório. Apenas para refrescar a memória, consultório é aquele ambiente onde o bioamigo, até há poucos meses, utilizava profissionalmente para atender pacientes e que se encontra fechado temporariamente para evitar contágio recíproco de um vírus que parece ter descoberto pontos fracos da evolução biológica do Homo sapiens, especialmente nos quesitos inflamação e imunidade, com atenção ao envelhecimento e se constituindo num enigma sobre tratamento e prevenção.

Prosseguindo, o médico fez o que precisava ser feito, iniciou o processo de diagnóstico e suponhamos que anamnese, exame físico, avaliações de exames complementares e momentos interpessoais de informações e esclarecimentos perfizeram duas horas. Ou seja, 120 minutos foi a duração líquida entre a emissão da queixa principal e a necessidade de o paciente manifestar consentimento – ou não- à recomendação conclusiva do médico, a realização de um procedimento invasivo com determinada relação risco/benefício.

O paciente era um adulto jovem cognitivamente capaz que pela primeira vez se via diante de uma necessidade de cuidados mais concentrados sobre a sua saúde. Seu comportamento foi de preocupação desde o primeiro contato com o seu médico e assim prosseguiu vivamente disposto a recuperar sua qualidade de vida o mais breve. Cumpriu o manual do bom paciente que os médicos tanto desejam, todas as etapas planejadas do atendimento foram obedecidas e o cenário atual é o médico aguardando o paciente manifestar o seu Sim ou Não. O paciente privilegia a opinião-resumo que recebeu do médico: um excelente prognóstico com algumas advertências sobre possíveis adversidades, nada inquietantes e acima dos seus incômodos.

Sim NaõAconteceu o Sim, manifesto com notório otimismo pelo paciente e familiares solidários. Na verdade, aquele Sim foi tão somente um registro formal de autorização que ultimou uma contínua voz ativa do paciente no decorrer do processo investigativo, vale dizer, a palavra final do paciente de um continuado diálogo entre médico e paciente. Foi um sem parar pelos pedágios da investigação, porém com o paciente sempre parando para pensar e sentir a cada etapa.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Uma resposta

  1. Em oncologia, o SEM PARAR apenas permite redução da velocidade a um limite seguro que não afete os resultados que são frutos do bom diagnóstico, da boa decisão terapêutica e da boa aderência do paciente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts