398-Ciência e desejo (Parte 1)

Para qualquer ser humano, tudo que para ele é má notícia é impactante, afinal, senão não seria má. A primeira reação é se assustar. A segunda… bem, ela depende de cada um. Uns correm para se afastar do problema, outros correm atrás de soluções. Cada qual tem suas motivações, sob efeito do pluralismo e lógicas formais, mas, na área da saúde, aprende-se cedo que  fugir para uma ilha deserta leva a causa junto, que evoluirá em meio a um deserto de opções resolutivas. Dar um tempo é uma coisa, desperdiçar espaço é outra. De qualquer maneira, a multidão de causas para idas-e-vindas até o encaixe do paciente no que foi talhado pela lógica do médico constituem desafio ao treinamento do profissional da saúde desde que ingressa na Faculdade pretendendo aprender a fazer – e não a não fazer.

O paciente quando recebe um diagnóstico – e cada um ouve a sua maneira- cria para si um clima com multiplicidade de expressões, em que mesmos componentes objetivos provocam emoções distintas, embate entre o racional e o emocional que inclui ênfases em conformismo, negação e desespero na relação médico-paciente.  A ciência a ser endossada pelo desejo.

O médico por mais que pretenda interagir com o paciente segundo espelho das razões da Medicina, vê-se diante de uma situação de receptividade e de aceitação aos cuidados no grau máximo de idealidade de acordo com atualidade dominante e validada  da Medicina.

No importante campo da prevenção que neste início de século XXI reúne eliminações, reduções e perspectivas tão inovadoras quanto alvissareiras, intenções profissionais com fundamentação  técnico-científica não têm unanimidade de acolhimento leigo, especialmente quando demandam renúncias voluntárias de momento para efeitos a médio e longo prazos. É fácil tomar uma dose de vacina de tempos em tempos , pois não afeta a rotinado cidadão, particularmente a associada a entendimentos de prazeres da vida. Difícil é desconstruir os hábitos reforçados diuturnamente por sensações de gratificação emocional e isentos de danos visíveis- ou visíveis mas não valorizados. É a condição do sofá-vilão que abriga o sedentário, fumante e glutão, matérias-primas inflamatórias (em vários sentidos).

Numa visão de acordos em panoramas continuados, paternalistas aconselhamentos -às vezes em cenário de maquinações profissionais para enquadramento do paciente que trazem o risco do indesejável paternalismo coercitivo-, caminhe, faça exercícios físicos, pare de fumar, como com moderação, releve chateações restam, habitualmente, subjugados pelo livre-arbítrio mal aconselhado por pensamentos desviantes e frases de efeito defensivo. Os fatores de risco com potencial de reversibilidade permanecem conectados às essências etiopatogênicas  do ser humano representadas pela carga genética que ordena e pelo envelhecimento que faz acontecer. Envelhecer á a única maneira de não morrer precocemente é aforismo que precisa ser enfatizado em campanhas de prevenção na área da saúde.

Tais confrontos envolvem a diversidade da condição humana na aplicação e na recepção do saber e da sabedoria acumulados pela ciência, ideologia, filosofia, economia, religião e política. As repercussões como (não)cumprimento e (não) consentimento na relação médico-paciente interessam a

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