397- Suas razões, minhas razões. Em prol do encaixe pela Bioética.

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Crédito: http://www.queroevoluir.com.br/o-poder-da-empatia-no-mercado-de-trabalho/

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Um membro do Comitê de Bioética do hospital chamado para atuar num conflito da beira do leito quando se inteira da situação não costuma permanecer neutro, contudo precisa refrear qualquer tendência de aderir a uma das partes, o que vale dizer, deve se manter imparcial. É essencial considerar que a racionalidade que emprega tem que ficar aberta e sensível aos pensamentos das partes envolvidas, a fim de beneficiar a interdependência médico-paciente que se vê comprometida.

Nos conflitos da beira do leito, a conexão Medicina-médico-paciente que se materializa tão-somente informações e conhecimentos técnico-científicos é insuficiente no processo de consentimento livre (paciente) e esclarecido (pelo médico) quando carece do livre esclarecimento (pelo paciente)  da sua posição sobre a recomendação acerca de objetivos, valores, desejos e preferências. Nem sempre há uma atmosfera favorável para abrir os cadeados com que nossos subjetivismos no viés do profissionalismo nos aprisionam e fluir pelos caminhos da empatia.

A competência profissional do médico contemporâneo exige atitudes de flexibilizações da aplicação do conhecimento e da habilidade para a prática da Medicina em sua grandeza de maior utilidade, eficácia e  segurança, ou seja,  com mais probabilidade de benefício em excesso a malefícios. Todavia, a técnico-ciência com suas evidências da dimensão do efeito para atender com excelência às necessidades de saúde daquele paciente tende para um posicionamento profissional de rigidez, obediente às disposições deontológicas e legais. O caput É vedado ao médico da maioria dos artigos do Código de Ética Medica vigente reforça o compromisso de fazer o melhor reiterado na formação do médico. Neste contexto, a Bioética da Beira do leito prefere uma abordagem de apelo às virtudes – eu assim procedo não porque estou proibido de não fazer, mas porque entendo que é a mais coerente decisão frente às circunstâncias.

Cada conflito da beira do leito ocorre a sua maneira e cada parte envolvida tem suas razões sob influências distintas. O médico vê-se com a responsabilidade de cuidar segundo o estado da arte -considerando uma idealidade de disponibilidade dos recursos necessários- e o paciente exige o respeito a sua pessoa, comportando-se como um receptor de influxos determinados pela sua apreciação sobre o momento clínico, pelas lições da sua história de vida, pela analogia e imaginação a partir do conhecimento sobre a vivência de outros, pelos aconselhamentos de próximos e por circunstâncias pontuais, o que admite a presença de um verdadeiro fogo cruzado de contrapontos em sua mente às voltas com a vulnerabilidade exacerbada pela doença.

Isto significa que o consultor em Bioética necessita se articular com mundos distintos, prestar atenção nas narrativas de cada parte, sempre crítico sobre a sua imparcialidade pelo ouvir-se ouvir e ouvir-se falar, para, desta forma, dar a sua contribuição para a resolução, não como uma sentença, mas, especialmente, pela interpretação dos antagonismos e das ambiguidades, pela revelação discursiva que pretende ao esclarecimento amplo e pela catálise de um espírito conciliador que provoca cada parte figurar-se como o outro para atingir o maior nível de mútuo entendimento, tendo uma visão humano-social como plataforma moldada num contexto de respeito à ética e à legalidade.

 

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