A medicina passa por uma transformação sem precedentes. A inteligência artificial (IA) emerge como ferramenta central no cuidado à saúde. Surge, então, o questionamento: como equilibrar avanços tecnológicos com valores éticos e humanos? Este artigo analisa a evolução do papel do médico, o impacto da IA e os desafios bioéticos do profissional na era do “médico ciborgue”.
A evolução histórica da medicina
Na Grécia Antiga, a medicina era guiada por crenças nos deuses e em uma inteligência divina. Hipócrates, considerado o pai da medicina, rompeu com essa tradição. Ele defendeu que o cuidado à saúde deveria ser baseado em observação, conhecimento e racionalidade humana. Essa mudança transferiu a responsabilidade pelo tratamento dos deuses para os próprios humanos.
Com o tempo, a medicina consolidou-se como ciência, valorizando a experiência, a ética e o diálogo entre médico e paciente. No século XX, a tecnologia passou a apoiar o diagnóstico e o tratamento, mas sempre sob a condução da inteligência humana. No Brasil, essa trajetória acompanhou o desenvolvimento de currículos médicos, códigos de ética e a valorização do prontuário como registro essencial do cuidado.
