Etarismo intrageracional e interiorização do preconceito
Um aspecto particularmente relevante do encontro foi a constatação de que o discurso etarista partia de um indivíduo situado na fronteira socialmente estabelecida que define a velhice. Ao declarar sua idade, o
interlocutor evidenciava proximidade imediata com o grupo que ele próprio estigmatizava, revelando um fenômeno de etarismo intrageracional.
Essa forma de preconceito, menos discutida na literatura, consiste na reprodução de estereótipos negativos contra grupos etários ligeiramente mais velhos, frequentemente como mecanismo de defesa frente à própria percepção do envelhecimento. Algo que popularmente é expresso como ” idoso é uma pessoa que tem mais idade do que eu”
A associação entre envelhecimento e inutilidade social, bem como a naturalização da morte precoce como solução para os desafios da velhice, encontra ecos históricos na medicina e na cultura ocidental, e não raramente tem sido repetido pelos responsáveis pelas contas publicas como sendo o motivo principal pelos déficits financeiros dos recursos da saúde. .
