3830

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1075- A Bioética adquiriu o direito de existir (Parte 6)

Conciliações entre objetividades e subjetividades representativas dos posicionamentos dos envolvidos acerca dos problemas ativos articulam-se com o dominante processo do consentimento pelo paciente e inserem-se na prudência- ética e virtude- de altíssima exigência na beira do leito.

A prática da prudência que orbita na fidelidade ao futuro reforça a distinção entre beneficência e benefício e ensina que seus significados precisam ser separados na beira do leito.

Beneficência é atributo de um método, benefício é realização de resultado. O fato de o sal ter o potencial de se dissolver em água não garante a dissolução, pois pode haver saturação ou mudança no estado físico da água para gelo ou vapor. Assim o verbo modifica o sentido do adjetivo em ser solúvel e estar solúvel.

Uma confluência da semântica dos termos beneficência e benefício na beira do leito pelo paciente pode ser presumida quando ele não objeta a recomendação validada do profissional da saúde. Evidentemente, a efetiva superposição da beneficência em benefício para as necessidades de saúde do paciente depende de fatores intervenientes evolutivos,  biológicos multidimensionais, que trazem similitudes funcionais ao acima referido para a relação sal/água.

A Bioética da Beira do leito enfatiza que a distinção semântica impede enxergar contradição entre um rótulo de beneficência para um método e a eventual não realização do benefício cogitado, pois são situações que pertencem a realidades distintas. Por isso, a tradição da medicina do compromisso com o método e da impossibilidade de garantia do resultado de sua aplicação.

Em juízos críticos sobre a qualidade de recomendações para necessidades da saúde do paciente na beira do leito, é importante ter em mente que o treinamento do profissional da saúde consolida a premissa utilitária da analogia com o sal – possuidor de propriedades integrativas- solúvel em água- passível de mudanças de estado receptor. Uma das variações diz respeito a um caráter humano da recepção ligado a uma “não solubilidade” opinativa, ou seja, não haver o consentimento paciente, por exemplo, por sua percepção sobre algum tipo de mal que possa estar implicado com o potencial de benefício.

A Bioética da Beira do leito insiste que não se trata de uma contradição baseada no princípio da bivalência, métodos admitem uma lógica de não contradição entre o bem e o mal, ou seja, o mesmo método não exclui alguma possibilidade – até oposta- pela existência da outra (lógica do terceiro incluído).

Portanto, há verdade na afirmação que métodos das ciências da saúde aplicados assistencialmente na beira do leito são agentes do bem e do mal. Cabe às individualidades da conexão profissional da saúde -paciente destrinchar o quantum de um e de outro pode ser cogitado. É fundamental no processo de tomada de decisão. Em síntese,  resultados são comportamentos ao longo dos efeitos dos métodos e só a evolução é segura para revelar as realidades efetivas – benefícios-  dentre uma listagem de cogitações pré-aplicação- beneficência.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts