300- Comitê de Bioética inclusivo

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Muitos perguntam um tanto céticos sobre a razão de poucos desejarem contar com um Comité de Bioética num hospital.  Costumo responder personificando a representação.  Ele será útil na medida em que se tornar criativo, confiável e resolutivo. Ele ampliará sua contribuição efetiva ao se impregnar do propósito de adquirir um sólido pertencimento local. Ele será enxergado como inclusão imprescindível ao se construir espaço criativo, mente amiga e tempo útil.

Um Comitê de Bioética do hospital não tem nem ambulatório nem enfermaria. Um enorme limitante à inclusão por interconsulta. Ele está à disposição, mas não é solicitado. Ele não costuma ser sentido na rotina do hospital como um serviço que reforça ou complementa condutas diagnósticas, terapêuticas ou preventivas.

Uns dizem que é uma novidade que precisa ser incorporada atestando de fato utilidade e eficácia. Perfeito! Então que se faça acontecer as oportunidades para as demonstrar. Uma indicação sobre “eu estou aqui” estimulando  iniciativas de proatividade e presteza de reatividade. Grande desafio, especialmente porque cada membro tem sua vasta rotina a cumprir no intervalo entre as reuniões, assim comprometendo a continuidade e daí a agilidade.

Alguns consideram algo como um corpo de bombeiros, uma disponibilidade a ser mobilizada em emergências com alto risco de danos. Um alerta que o Comitê de Bioética precisa ser avaliado com a mesma confiança inequívoca com que a sociedade em geral classifica a corporação.  Segurança e esperança para ser chamado a “apagar incêndios” da beira do leito, “socorrer afogados” em redemoinhos éticos e legais, “atender colisões” nos cruzamentos do benefício e com a autonomia.

Outros pensam de um modo negativo, exageradamente. Negam-se a enxergar o Comitê de Bioética como um elo fortificador da corrente de atendimento às necessidades de saúde. Preferem supô-lo um elo-algema. Desvalorizam a função dialógica da palavra, uma atitude de descrença, em parte disfarce do medo da crítica. Até mentalizam como uma organização voltada para a realização de rondas ostensivas ou  de missões ocultas bisbilhotando cada ato médico praticado, cada prática dos profissionais da saúde em geral, tudo anotando e conferindo com manuais administrativos, códigos de ética e  normais legais. Não alcançam que o Comitê de Bioética é pró e não anti o belo refrão do nosso Hino à Proclamação da República de 1890 (José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque -1867-1934 e Leopoldo Augusto Miguez – 1850-1902): Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós.

Assim, cabe a um Comitê de Bioética construir uma imagem amigável de assessoria, consultoria e órgão conciliador, e, ao mesmo tempo, desconstruir qualquer ideia de censura, patrulhamento, órgão repressor. Mas será mesmo que este pensamento restritivo existe dentro de hospitais? Infelizmente, a resposta é positiva, fruto de ainda persistentes incompreensões sobre os rumos da contemporaneidade de combinações “comburentes” de relacionamentos entre saberes interdisciplinares, profissionais da saúde, paciente/familiar, instituição de saúde e sistema de saúde. Recorde-se que a Bioética tem DNA anti-malfeitos e pró-bem-estar e adaptação da humanidade perante as infinitas interfaces entre tradição e inovação.

A História da Medicina moderna registra dificuldades iniciais de aceitação de representações intra-hospitalares como Comissão de Controle de Infecção hospitalar e Comissão de Análise de Óbitos. Elas foram vencidas em sintonia com o tempo atestando a relevância e a utilidade para todos.

É de se crer que a mesma evolução favorável e decorrente consolidação venha a acontecer com Comités de Bioética. O apoio institucional, a colaboração compreensiva dos profissionais de saúde e o desempenho eficiente são essenciais.

Afinal, sucesso só precede trabalho, utilidade, valorização e zelo no dicionário!

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