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1580- Salutarismo e Bioética (Parte 5)

Cidadão (a), não fume, faça exercícios físicos, escolha os alimentos, não abuse do álcool, fuja das drogas ilícitas, durma bem, tire férias, preocupe-se com o ambiente e com as condições de trabalho, faça revisões periódicas de saúde. Ouça bem, cidadão(a), é da sua responsabilidade preservar e manter a saúde, até porque você carrega uma genética passível de “fazer uns gols contra” e, por vezes, aguardando um ataque adversário. Mexa-se, invista no autocuidado e resista a certos efeitos da cultura e da publicidade. Viva de modo salutar!

Uma postura de autoridade, não de autoritarismo para individualidades, é verdade, porém, a soma de efeitos beneficia o coletivo de saúde da sociedade. Uma relação entre saber e poder, a população sujeita a uma pedagogia que pretende regular, disciplinar, descolonizar costumes e desafia a arte de viver pelo governo da própria vida, lembrando Michel Foucault (1926-1984).

Bom? Mau? A pluralidade da condição humana não permite consenso. Cada indivíduo, inclusive, pode oscilar em sua avaliação ao longo de sua idade cronológica e sob influência das idades biológicas da disposição geral e de seus vários órgãos. Procura por métodos antifumo e por reuniões de Alcoólicos Anônimos ilustram de modo mais radical as oscilações de apreciação dos conselhos de indivíduos e da coletividade.

Uma pedagogia que a Bioética da Beira do leito deve ser objeto de permanente análise crítica, pois um dos desdobramentos das “desobediências” à sabedoria etiopatogênica e decorrentes falências preventivas é, não somente, a dor e o sofrimento individuais pelas doenças, como também a sobrecarga do sistema de saúde e seus recursos finitos.

Não é fácil alguém gabaritar, eliminar etiopatogenias, ainda mais quando elas se renovam, como os feitos da internet sobre a saúde mental das crianças e adolescentes, o que o cotidiano de observações de famílias reunidas bem demonstra que não é a consciência do problema que inibe a prática não recomendada.

O neologismo salutarismo (healthism) entende necessário combater forças sociais que incentivam maus hábitos, afetam a saúde pessoal e, por isso, é essencial uma permanente visão crítica sobre o estilo de vida. Faz parte da medicalização da vida que admite dois atributos da missão médica: o controle de seu próprio trabalho na medida em que faz coisas que os outros não fazem e a tendência a generalizar conhecimentos e assim, pela linguagem, educar a sociedade sobre o bom e o correto.

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