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101-Um pouco da Bioética da Beira do leito

BRBioéticaO profissional da Saúde brasileiro não pode dizer que exerce uma atividade monótona. Cada época, cada caso, cada circunstância têm peculiaridades. Nenhum atendimento é  exatamente igual ao anterior e ao subsequente, embora  sejam possam estar sustentados por mesma rotina. É curioso, porque a sensação é que primeiro vem a questão para ser respondida, depois é que vem a lição para a resposta.

Assistência e pesquisa constituem as corretas matérias-primas para o aprendizado pós-graduado continuado exigente da Medicina.  Continua-se a assistir aulas e a se debruçar em textos, em intensidades variáveis, todavia, nada é mais instrutivo sobre as realidades plurais da beira do leito do que a proximidade do ser humano necessitado dos cuidados com a saúde. É quando se entende, de fato, o que foi ensinado.

A Bioética da Beira do leito compromete-se com esta pedagogia. Ela objetiva  contribuir para o encontro da modelagem mais conveniente para a atenção – aqui e agora- às necessidades de atendimento à saúde do brasileiro. O propósito inclui a interação entre benefício, segurança e consentimento, idealmente, delineado de acordo com o estado da arte da Tecnociência em Medicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Psicologia e demais afins e com a consideração à natureza humana do envolvimento profissional da saúde- paciente/familiar.

A Bioética da Beira do leito representa uma ponte entre os desafios inerentes ao constante desenvolvimento técnico-científico e a regulação imposta pelas individualidades de tomadas de decisão. Por isso, a inconveniência de se referir ao paciente como o “leito 10”, o “renal descompensado”, o “operado da vesícula”. Há o momento para já fazer e há o momento para ainda não fazer uma recomendação conceitual, preferencialmente orientado desde a unicidade da pessoa e não pela hotelaria e pela patologia.

A Bioética da Beira do leito reconhece que a maioria do progresso da Medicina provém de outras sociedades – fármacos, máquinas- e que a aplicação precisa ser ajustada às  realidades brasileiras, sociais, culturais e econômicas.  A gestão da beira do leito assemelha-se a um iceberg, não pela temperatura, obviamente, mas pela característica invisível da grande parte dos processos formadores e sustentadores.

A Bioética da Beira do leito preocupa-se com a correção das etapas que partem da pesquisa em voluntários e caminham na direção da assistência ao paciente, com as variantes determinadas pela imensidão dispar do território brasileiro. Há leis e há códigos de ética nacionais que precisam ser respeitados, assim influenciando a velocidade de incorporação nas boas práticas validadas para a beira do leito brasileira. Eventuais defasagens entre incorporação à Medicina e disponibilidade à beira do leito carregam o potencial de crises pessoais e institucionais com conotações éticas e legais. Elas se sucedem a reboque das composições de inovações em função das expectativas de mais benefício e de mais segurança para o paciente, compromissos pétreos do profissional da Saúde.

A Bioética da Beira do leito ressalta o valor de um  entendimento de semáforo para  regular o sentido do trânsito de conhecimentos e de habilidades à beira do leito brasileira. O sinal verde subentende a inexistência ou a superação  de conflitos, quer no âmbito da validade do método, quer no âmbito da receptividade pelo paciente. O sinal amarelo representa a presença de algum tipo de risco relevante numa resolução, mas que não constitui, exatamente, um impeditivo ao prosseguimento. O sinal vermelho indica que existe  desarmonia  na conduta que  recomenda paralisar o fluxo.

A boa notícia é que na maioria dos casos, o sinal verde prevalece, ou por falta de “tráfego concorrente” ou por ajustes, onde a Bioética da Beira do leito pode dar a sua contribuição.  E o recado se impõe: Formem Comissões de Bioética!

Por fim, se a Bioética pudesse se manifestar à Formatura dos jovens profissionais da Saúde no Brasil, ela diria que o exercício que se inicia será uma sucessão de oportunidades conselheiras de transformações, ajustes, aperfeiçoamentos visando à manutenção da excelência. E daria dois exemplos da mestre Natureza: um rio assim permanece porque renova constantemente a sua água que caminha em direção ao mar; uma mesma árvore expõe fruto verde e fruto maduro, há que ter sabedoria no usufruto.

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