
Dr. CARLOS ALBERTO PESSOA ROSA
Analisar a qualidade do atendimento na óptica do paciente revela que o conhecimento técnico pode ser condição necessária mas não suficiente para que ocorra um vínculo adequado no encontro médico-paciente.
Além da expectativa de serem respeitados e acolhidos, em clima de empatia e compreensão, a literatura médica mostra que a consulta resulta satisfatória quando os pacientes são examinados, independentemente da necessidade do procedimento. É comum ouvirmos de pacientes que o médico que o atendeu “nem verificou sua pressão”.
Há necessidade de os médicos diminuírem a distância que os separa dos usuários, tratando-os com civilidade, apresentando-se, chamando-os pelo nome, esclarecendo as dúvidas deles quanto aos procedimentos necessários envolvidos no diagnóstico e no tratamento.
O desenvolvimento tecnológico e a sua aplicação indiscriminada, desprezando-se a subjetividade dos pacientes, vai na contramão da humanização do atendimento, muito mais que o tempo dispendido, justificativa atraente, mas que não se sustenta por ser a intensidade do encontro o fator determinante na qualidade da relação.
Várias são as barreiras que dificultam um bom vínculo, dentre elas podemos citar a inadequação da formação médica, onipotência do profissional e especialização precoce, além da insensibilidade social que vê a solidariedade com reservas. A falta de um olhar humanizado da profissão e a insensibilidade do médico apenas ressaltam os aspectos negativos da Medicina, gerando tensões e conflitos no encontro médico-paciente.
Cabe ao médico apresentar-se, obter informações e construir uma parceria que pressupõe cumprimento, sorriso, senso de humor, atenção, gentileza, demonstração de interesse e desejo de ajudar, sem julgamentos e comentários pessoais, comportamento cada vez mais distante de nossa prática.
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