O recente episódio da morte do gorila Harambe (trabalhando juntos no dialeto suaíli), 17 anos de idade no zoólogo de Cincinnati, é de interesse da Bioética pois insere-se na Antrozoologia, o estudo das interações entre humanos e animais. Corresponde a uma interdisciplinaridade que inclui antropologia, zoologia, medicina, psicologia e etologia (comportamento animal).
Discussões de natureza moral existem sobre considerar que animais em seus habitats selvagens trazem insegurança para o homem e que animais domésticos proporcionam segurança -de algumas naturezas- para o homem. Elas se estendem para análises sobre até que ponto uma falha humana de atenção e de segurança deve levar a uma medida drástica de sacrifício de um animal que, instintivamente, como outros animais certamente fariam, não iria comprometer de modo obrigatório a vida do menino- gorilas são vegetarianos- que invadiu a sua residência, ambiente que Harambe não escolheu e sobre o qual não exerce nenhum poder de organização?
A reboque de questões antigas, agora renovadas pelo acontecimento, sobre o quanto o animal no zoológico vive de fato a condição da sua espécie -Harambe nunca soube o que é ser gorila realmente-, já que ele teve a liberdade tolhida para fazer escolhas habituais, eclode a pergunta: Qual a razão de haver zoológicos com o objetivo de proporcionar entretenimento humano? Ainda mais, quando se sabe que tais espaços pouco acrescentam para uma melhora da vida animal nativa.
