Em tempos em que o Brasil vive a possibilidade de um segundo impeachment presidencial de sua história republicana, vale conhecer o fato acontecido quando corria a discussão sobre o pedido de impeachment do presidente dos EUA William Jefferson Blythe III (Bill Clinton, nascido em 1946).
É sabido que o editor de uma revista científica tem alta responsabilidade pessoal na missão de decidir sobre vários aspectos do periódico, incluindo o tipo de material que deve ser publicado. Fatores externos à ciência não costumam influenciar a decisão publique-se/não se publique.
Em Janeiro de 1999, o editor do excelente Journal of the American Medical Association (JAMA) foi demitido sumariamente pelo vice-presidente executivo da American Medical Association (AMA) após 17 anos de exercício da função. A alegação foi a perda da confiança por ter apressado a publicação de um artigo para obter vantagens políticas. A “pressa” significava coincidência com o processo de impeachment de Clinton, que como se recorda foi motivado pela denúncia de sexo com uma estagiária na Casa Branca.
A explosiva informação contida na publicação foi: 60% dentre 599 estudantes pesquisados no ano de 1991 entendiam que a prática de sexo oral não era ter sexo de fato (Quadro). Em nenhum momento, a qualidade do estudo foi motivo de questionamentos.

