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1965 – A palavra que cura e a palavra que fere (Parte 1)

O encontro  médico ‑ paciente é um acontecimento humano singular que se dá no cruzamento entre tecnociência, valores, emoções e incertezas. Diagnósticos e condutas não se restringem a substantivos classificatórios; exprimem verbos dinâmicos — estar doente, ficar doente — que incidem sobre biografias concretas. A beira do leito constitui, assim, não apenas um espaço assistencial, mas um ambiente privilegiado de aprendizagem ética, cognitiva e relacional.

Neste cenário, a comunicação emerge como competência central do profissionalismo médico. As palavras do médico não são neutras: carregam potência terapêutica e, simultaneamente, risco de dano, especialmente quando dirigidas a sujeitos em situação de vulnerabilidade.

O paciente não se apresenta à consulta apenas como portador de queixa clínica ou de classificações diagnósticas. Ele traz consigo sentimentos, valores, temores, expectativas e uma história de vida impactada pela doença. O médico, por sua vez, comparece munido de conhecimentos científicos, diretrizes clínicas, normativas institucionais e compromissos éticos, além de emoções que precisam ser reconhecidas e reguladas.

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