Ir direto ao ponto faz parte da constituição da Bioética. A linha reta nem sempre é possível, mas é sempre bem-vinda em função do inevitável potencial de danos humanos pela aplicação da tecnociência com foco beneficente. Direcionar sem rodeios é facilitado pela conjunção transdisciplinar e multiprofissional que proporciona matéria-prima qualificada para a elaboração de equacionamentos complexos de natureza ética e moral.
Permite por em constante alerta o destino dos seres vivos que percorrem pontes incertas em direção ao futuro. Neste aspecto, a beira do leito é um dos ecossistemas de alto interesse a respeito do impacto da Bioética. Bióticos e abióticos se renovam incessantemente e exigem filtros revestidos da ética e da moralidade.
A Bioética teve início com a ideia de um teólogo – Paul Max Fritz Jahr (1895-1953) – um neologismo que foi aproveitado por um biólogo – Van Renssalaer Potter (1911-2001) ainda no século XX.
A Bioética da Beira do leito é uma de suas produções que aprecia desafios, dilemas e conflitos da área da saúde no ecossistema da beira do leito. Ela se esforça para evitar sustentar julgamentos e equacionamentos pela subjetividade, pois, fundamental, é destituída de preconceitos.
Questionam-me: Porque é que devo me envolver com Bioética? Uma das possíveis respostas é que recompensa por desmistificar a “inutilidade” apregoada pelos que não a conhecem.
A Bioética torna-se comburente para mais conforto profissional e melhoria no convívio com demais nos espaços, aproveitamento de mais tempo qualitativo, mais conteúdo sobre o que dizer de produtivo no sufoco, contar com um apoio para seguir uma mentalidade prática inclusiva. Não é ufanismo barato, ou romantizar, é realismo baseado em evidências do cotidiano.
