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1810 – Um modo Bioética de enxergar a tecnociência aplicada ao paciente (Parte 12)

O conceito de bem e de mal pode variar e movimenta-se com tal intensidade, admite tantos ângulos de apreciação, inclusive alinhados a bom senso e boa-fé, que, em consequência, ficam impeditivas muitas etiquetagens universais que poderiam ser consideradas inquestionáveis. O bisturi é um bem pela colecistectomia indicada e um mal pelo queloide evolutivo. O comprimido de fármaco é um bem pela cura do mal que fez a indicação e um mal pela gastrite decorrente do uso.

Previsibilidades e imprevisibilidades estão sempre à espreita e fazem a beira do leito registrar resignações  e surpresas, o que acentua o caráter humano da atenção à saúde e mobiliza a Bioética da Beira do leito. Desprezar as incertezas pode induzir indevidas atitudes de o médico não revelar ou minimizar a ocorrência de adversidades ao paciente. O paciente saber que o médico transita com verdades é apoio   ético útil contra eventual culpa por adversidades evolutivas.

A arte da comunicação médico – paciente inclui a calibragem do teor das palavras, idealmente a que se afasta do “terrorismo” e do niilismo e jamais se aproxima da mentira. Quão demasiado ou quão insuficiente é a manifestação verbal do médico ao final de um processo de tomada de decisão? Será que alguém dispõe de uma calculadora?  Qual é a climatologia adequada para cada caso a respeito do frio da tecnociência e do calor do humanismo? Alguém tem aí algum termômetro de ambiente?  

Atitudes classificáveis como surpreendentes – após alguns anos de prática este adjetivo fica cada vez mais inaplicável – acontecem na conexão médico – paciente, como, por exemplo, não consentimentos pelo paciente a recomendações sem dúvida resgastes de vida, o que ilustra a imperiosidade profissional de empreender condutas personalizadas, dispor-se à abertura para ajustes, manifestar tolerância a opiniões contrárias, no contexto da conexão médico – paciente.

O médico não pode esquecer jamais que já foi um leigo, é lição humana altamente pedagógica. O perigo é que o ex – leigo do médico desaparece rapidamente, enquanto que pacientes cada vez mais pacientes se “doutoram” na internet, trazendo desequilíbrios nem sempre contornáveis.

Na beira do leito, há regras comuns que valem – e são, então, aplicáveis – ou não valem. Já os princípios da Bioética independem da validade. Caso haja contraposição entre princípios, não há razão para questionar a legitimidade, o importante é caracterizar a prevalência na circunstância, o peso a ser atribuído a cada um deles.

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