Perante divergências que o profissional da saúde possa ter com os pacientes sobre a conveniência do quarteto o quê, como, quando e onde a respeito das condutas validadas, o modo Bioética de enxergar o ecossistema da beira do leito reforça o valor da comunicação empática. Resumível como longe do autoritarismo, perto da autoridade, o que é essencial para o desenvolvimento da confiança. Não há excelência sem confiança.
Em outras palavras, a boa comunicação significa longe do desrespeito ao princípio da autonomia e perto do domínio da beneficência, num local ideal que satisfaz o exigido. Nem sempre é fácil devido a complexidades cada vez mais impostas pelo progresso do diagnóstico e da terapêutica – maior disponibilidade de métodos com efeitos benéficos e maléficos -, e pelas plurais instâncias de comportamentos humanos. Redes sociais ampliaram e deram visibilidade.
A expansão da difusão do conhecimento da medicina e ciências da saúde para além do contato direto médico – paciente tradicional traz uma não assessorada incorporação de informações cujos domínios exigem bases além das tão somente cognitivas. Por isso, o potencial de afetar a qualidade da integração entre beneficência da medicina e autonomia desde o paciente, o que é ponto alto do interesse da Bioética da Beira do leito.
Não há como dialogar objetivando esclarecimentos/confirmações com o autor de internet, eis questão fundamental na atualidade sobre as distintas interações entre o emitido e o captado no campo da atenção a saúde fora da conexão médico – paciente na beira do leito. O paradoxo que uma virtude da autonomia é promover articulações para ajustes, mas leituras leigas dissociadas da competência correm o risco (alto) de levar a vozes ativas provocadoras de desajustes.
No nível atual de maturidade, é imperioso que cada conexão médico – paciente contenha forte expressão dialógica das vontades de seus componentes. É essencial a fim de a autoridade profissional dada pelo conhecimento tecnocientífico não deixar de ser harmonizada, na medida do possível, a desejos, preferências, valores e objetivos do paciente adulto e capaz. Um conjunto que admite a enigmática afirmação de George Bernard Shaw (1856 – 1950): Há duas tragédias na vida. Uma é não conseguir o que o seu coração deseja. A outra é consegui-lo.
Nunca é demais enfatizar que os médicos não possuem a medicina, eles aplicam medicina, a propriedade é da sociedade. Aliás, não é novidade desde que Hipócrates (460 aC - 370 aC) afastou os deuses das recomendações "médicas". Os humanos médicos há séculos aprendem, reaprendem e desaprendem continuadamente desde a formatura até a aposentadoria em feedback com o paciente, a beira do leito como eficiente sala de aula.
