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1774- Não defino ética, pratico (Parte 4)

O médico tem direito à autonomia, a seguir os ditames de sua consciência. Entretanto, mais uma vez o direito à autonomia do paciente pode falar mais alto a respeito da interpretação de dano. Por outras palavras, eventual negação pelo médico ao desejo do paciente “por ditame de consciência”, como se recusar a atender ao não consentimento pelo paciente que compromete o prognóstico ou a aplicar uma exigência do paciente que considera indevida, se por um lado pode beneficiar a saúde física do paciente, por outro pode trazer dano à saúde mental do mesmo. A questão da transfusão de sangue e uso de métodos ditos alternativos em paciente Testemunha de Jeová perante risco de morte evitável ilustra. A sobrevivência com corpo moralmente violentado torna-se danosa.

Linguagem, teorização e racionalidade são essenciais ao profissionalismo, mas exigem interpretações que não podem projetar consensos. Os artigos do Código de Ética Médica não eliminam dissensos de sentidos frente ao diversificado mundo real de um ser humano cuidando de outro ser humano. Não à toa, cada um tem sua própria impressão digital, seu próprio DNA… e próprio CPF. A Bioética da Beira do leito interessa-se pelas dúvidas, desacordos e ambiguidades que, cotidianamente geram desafios, dilemas e conflitos na conexão médico⇔paciente. A Bioética da Beira do leito prefere o uso de conexão no lugar de relação, justamente porque traz uma analogia à rede wi-fi, quando “cai” paralisa, razão de preocupação constante com sua manutenção.

A convivência de É proibido com salvo (agora é permitido) em situações de emergência – nem sempre bem caracterizadas -, bem como a manifestação de um Não consinto, doutor pelo paciente para uma beneficência tecnocientífica sem que haja necessidade de explicações aprofundadas, reforçam a relevância na ética do médico da compreensão que o fio condutor do que é para fazer ou para não fazer porque assim um colegiado pretende de um coletivo não dispensa entendimentos interiores forjados pela interação entre a bagagem pré-profissional – a que o calouro traz consigo – e a bagagem adquirida desde o profissionalismo.

Vale muito a mescla de rigor tecnocientífico com abertura e tolerância a contraposições sobre melhor interesse (macro e micro) de cada paciente, por meio da atenção à prudência na tomada de decisão e ao zelo na aplicação do consentido. Afinal, o médico não possui a medicina, ele aplica a medicina sob impacto da pluralidade dos significados de ser um humano.

A beira do leito ética pode ser mentalizada contendo uma ponte que num sentido faz a recomendação do médico atingir a privacidade mental do paciente e, noutro sentido, faz retornar ao médico a liberdade cognitiva do paciente sobre aceitação, não aceitação, propostas de ajustes.

A Bioética da Beira do leito enfatiza que as bases de evidências da medicina incluem não somente as de natureza tecnocientífica aplicáveis a individualidades da doença, mas também, as derivadas de individualidades do doente.

Complexo deriva de plexus=dobras. Promover os desdobramentos em cada caso, rumo a simplificações eficazes é tarefa ética em que a Bioética se propõe a ser parceiro útil num contexto transdisciplinar. Alô Bioética!

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