O bioamigo se lembra de OLS? Fumante e obeso, preocupado com a estética do corpo e com repercussões negativas de seus hábitos sobre a saúde, após anos de vai não vai, finalmente marcou consulta com um médico na pretensão “agora para valer” de modificar seu estilo de vida.
Com forte apoio da família, OLS conseguira desenvolver um estado de otimismo sustentado por bem sucedida aliança entre crédito a sua força de vontade e pré-confiança num médico bem recomendado. O doutor manifestava a configuração de um médico sério, era de fácil diálogo e inspirava um “sempre estarei com você”, certamente, ao agrado profissional do vigilante Hipócrates, o imortal inspirador do comportamento ético.
São passados seis meses desde a primeira consulta e OLS considera-se outra pessoa, continente e conteúdo reformados. OLS vivenciava os efeitos tanto da da força – que é pessoal – quanto do poder – que é interpessoal. Ele confirmara a força da sua vontade e testemunhava o poder dos métodos transformadores propostos, bem como, a reboque, entendera o porquê da recomendação ao médico. OLS sentia os fluidos sedutores exalados pela renovação do estilo de vida, e eles mantinham aceso o desejo de provar do potencial de benefício e ser recompensado pela firmeza de propósito. OLS estava de bem com a nova vida, teria começado antes se soubesse de como eram os efeitos.
O bem-sucedido OLS tornara-se uma pessoa mais leve, em seus vários sentidos. A sua idade biológica rejuvenescera, o espelho ficara mais generoso. Impressionava-lhe a mudança do gosto nas refeições de um ex-fumante e classificou como surpreendente o progressivo acréscimo de gosto pelas atividades “lições de casa”, agora parte da rotina, aliás, bem mais estimada. As convivências na família, no trabalho e no clube e consigo mesmo tornaram-se mais prazerosas. O OLS é outro! Diziam. O que ele está fazendo funciona mesmo! Admiravam. O processo transformador já parecia irreversível, o anjinho bom expulsara o anjinho mau, que, diga-se de passagem, perturbou, em não poucas ocasiões OLS temeu o “caldo entornar-se”.
Como era bom sentir-se recompensado e com autoestima se comportando como altoestima de muitos auto likes e figuras de joinha na própria mente. OLS reiterava que deveria ter se proposto a mudar antes, mas a sabedoria da esposa repetia “tudo a seu tempo” e ponderava que o importante era ele ter se comprometido com o “prazer da dificuldade” como, apesar de tudo, fonte de bem-estar mental. Foi essencial para que o passado se tornasse de fato passado, já que não mais incomodava o presente. A esposa, diariamente, concluía suas orações de agradecimento com “que seja eterno enquanto dure!” OLS conseguiu desenvolver um sentimento de culpa de prontidão, sempre a postos para emergir quando houvesse debilidade da força de vontade e houvesse risco da perda de oportunidade.
Biomigo, OLS foi beneficiado pela ciência ou pela arte? O remoçar físico e mental decorreu de uma contribuição tão somente do conhecimentos etiopatogênicos e fisiopatológicos? Ou também da arte de adaptar recursos de terapêutica e de prevenção representando amortecedor contra os efeitos de um envelhecimento tóxico provocado por maus hábitos?