Apreciações sobre a quantidade e qualidade das faculdades de medicina no Brasil motivam questionar se a obviedade da necessidade de cursar a graduação de uma faculdade de medicina para se tornar médico(a) refere-se, fundamentalmente, à obtenção da exigência legal de um diploma não importa muito o que dele possa ser espremido, ou à construção de bases sólidas para um desenvolvimento profissional destacado. O “canudo” com o próprio nome como objetivo primário ou como decorrência de uma dedicação a um currículo entendido como essencial.
O certo é que após longos seis anos o jovem passa de estudante de medicina a médico. Recém-formado, ele é um profissional que adquiriu direito à licença para exercer as atividades, mas não adquiriu pelo menos um nível de competência que dê respaldo ao uso do simbolizado no número de CRM.
Sentir-se um doutor não douto é razão para estender o processo de aprendizado sob supervisão. São mais alguns anos na função de Residente de medicina, idealmente, usufruindo de bons programas que promovem bem-vindo preenchimento de lacunas, quer de conhecimentos, quer de habilidades, quer de atitudes pelo exemplo e pela experiência.
Assim, por razões tanto do conteúdo curricular impactado por renovadas proporções entre clássico e inovação, quanto da forma do ensino influenciada pela estrutura da faculdade de medicina e pela qualidade dos professores, é pela prática que se contrai a insuficiência do obtido como estudante de medicina e amplia-se a suficiência do agora médico estimulada pelo interesse e modulada pela inquietação. O recém-formado é substituído pelo recém-informado/reformado/transformado.
O aperfeiçoamento do médico em serviço, por um lado, sujeita-se ao Código de Ética Médica tanto para os olhos do próprio médico quanto para os olhos da sociedade e, por outro lado, submeter-se ao equilíbrio entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade, a proporcionalidades entre o pessoal e o supra-pessoal.
A convicção do médico sobre a beneficência da medicina para a circunstância clínica aciona o Quero! aplicar a medicina de excelência, mas a responsabilidade com a integração medicina-paciente lida com o Posso? e o Devo?. A indicação de um método movimenta o Quero!, mas a revelação de uma contraindicação contrapõe o Posso com o Devo.
Objeção de consciência, obstinação terapêutica, risco proibitivo, respeito ao não consentimento do paciente são fortes expressões de dúvidas de resolução que ilustram dissintonias entre recomendável pela tecnociência e aplicável/consentido na individualidade do caso, desafios sobre hierarquizações da doença ou do doente. Acentuam o valor da prudência via médico na integração entre a tecnociência da medicina e o humano do paciente.
Almeja-se que médico ético seja um pleonasmo e, por isso, instituído como um agente moral, o médico está constantemente resinifica sua missão, vive novos ciclos, novas experiências, mergulha em especialidades e áreas de atuação e, até mesmo, estabiliza-se, acomodando-se numa zona de conforto.