3919

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1714- Bioética, água e óleo (Parte 1)

Apreciações sobre a quantidade e qualidade das faculdades de medicina no Brasil motivam questionar se a obviedade da necessidade de cursar a graduação de uma faculdade de medicina para se tornar médico(a) refere-se, fundamentalmente, à obtenção da exigência legal de um diploma não importa muito o que dele possa ser espremido, ou à construção de bases sólidas para um desenvolvimento profissional destacado.  O “canudo” com o próprio nome como objetivo primário ou como decorrência de uma dedicação a um currículo entendido como essencial.

O certo é que após longos seis anos o jovem passa de estudante de medicina a médico. Recém-formado, ele é um profissional que adquiriu direito à licença para exercer as atividades, mas não adquiriu pelo menos um nível de competência que dê respaldo ao uso do simbolizado no número de CRM.

Sentir-se um doutor não douto é razão para estender o processo de aprendizado sob supervisão. São mais alguns anos na função de Residente de medicina, idealmente, usufruindo de bons programas que promovem bem-vindo preenchimento de lacunas, quer de conhecimentos, quer de habilidades, quer  de atitudes pelo exemplo e pela experiência.

Assim, por razões tanto do conteúdo curricular impactado por renovadas proporções entre clássico e inovação, quanto da forma do ensino influenciada pela estrutura da faculdade de medicina e pela qualidade dos professores, é pela prática que se contrai a insuficiência do obtido como estudante de medicina e amplia-se a suficiência do agora médico estimulada pelo interesse e modulada pela inquietação. O recém-formado é substituído pelo recém-informado/reformado/transformado.

O aperfeiçoamento do médico em serviço, por um lado, sujeita-se ao Código de Ética Médica tanto para os olhos do próprio médico quanto para os olhos da sociedade e, por outro lado, submeter-se ao equilíbrio entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade, a proporcionalidades entre o pessoal e o supra-pessoal. 

A convicção do médico sobre a beneficência da medicina para a circunstância clínica aciona o Quero! aplicar a medicina de excelência, mas a responsabilidade com a integração medicina-paciente lida com o Posso? e o Devo?. A indicação de um método movimenta o Quero!, mas a revelação de uma contraindicação contrapõe o Posso com o Devo.    

Objeção de consciência, obstinação terapêutica, risco proibitivo, respeito ao não consentimento do paciente são fortes expressões de dúvidas de resolução que ilustram dissintonias entre recomendável pela tecnociência e aplicável/consentido na individualidade do caso, desafios sobre hierarquizações da doença ou do doente. Acentuam o valor da prudência via médico na integração entre a tecnociência da medicina e o humano do paciente.       

Almeja-se que médico ético seja um pleonasmo e, por isso, instituído como um agente moral, o médico está constantemente resinifica sua missão, vive novos ciclos, novas experiências, mergulha em especialidades e áreas de atuação e, até mesmo, estabiliza-se, acomodando-se numa zona de conforto.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts