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1646- Autonomia e heteronomia no ecossistema da beira do leito (Parte 12)

O que foi desejo sincero e competente pelo bem do paciente transforma-se em mal profissional  – e pecha de mau profissional – que paira desordenado sob efeito do Não consinto doutor, expressão que ao mesmo tempo que é de livre manifestação pelo paciente fica amarrada na mente do médico pois inexiste salvaguardas nas referências disciplinares.

É preciso que o médico assegure-se do sentido social da voz ativa do paciente, valorize a virtude da tolerância e bem compreenda como transitar etica, moral e legalmente por labirintos assim constituídos mesmo quando parece não haver saída para o conflito. Na linha da prevenção do burnout, vale muito o médico fortalecer-se emocionalmente para superar dolorosas apresentações da chamada hipocondria moral em que a inquietação não é cair doente, mas com a ideia de ser culpado, com o que pode ser falado dele, numa inadequada reação ao não consentimento do paciente.

Extrapolar a limitação do método e enxergar sem um percepção da realidade, trabalhar com imagens preocupado em demasia como auto-imagem acaba levando o médico a vivenciar o ecossistema da beira do leito como hostil, ou seja, local de oposições onde o medo transforma-se em fato.  A boa notícia é que um percentual expressivo de médicos pode dizer que acumulou um número enorme de preocupações desta natureza, mas que jamais elas vieram a se tornar realidade.    

A Bioética da Beira do leito enfatiza que um Não consinto doutor manifesto de modo livre e esclarecido por paciente capaz e isento de uma situação clínica de emergência a uma efetiva recomendação médica descaracteriza, num contexto de respeito ao direito ao princípio da autonomia, interpretações de abandono do paciente ou omissão de conduta. Elas aproximam-se da maledicência.

A conscientização da descaracterização promove, assim, a segurança ética que tranquiliza e facilita absorver o respeito ao direito do paciente de aplicar o princípio da autonomia, muito embora jamais deixará de existir vieses mentais de desconfiança, ou seja, confiança total é impossível. Ademais, eventual aplicação impositiva de método associado a Não consinto doutor configura situação profissional de imprudência de cunho heteronômico. Situação em que é pior a emenda do que o soneto, receoso de estar sendo negligente, o médico torna-se um imprudente. 

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