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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1211- Trans e pós-humanismo na beira do leito. Uma leitura com o apoio da Bioética (Parte 12)

A lição ao estilo da Bioética é o reforço que o artificial e não somente o produto da natureza pode ser moralmente admitido na beira do leito desde que eticamente bem enquadrado em eficácia e segurança. Este sinal verde para voos livres da inteligência humana tem respaldo na História da humanidade que ensina como o par inovação/artificial é matéria prima para acionar as asas da imaginação e as pernas da criatividade e influenciar o tempo e o espaço do ser humano. São inúmeras as proximidades realísticas atuais entre o natural e o artificial /artefato/artifício que ainda há pouco frequentavam distantes incubadoras da ficção.

Aspecto interessante acerca da procura por métodos beneficentes dependentes de apurada tecnologia é a pesquisa ainda restrita sobre criação de embriões-quimeras pela introdução de células humanas em animais com objetivo de transplante. O tema insere-se em discussões éticas sobre objetivos além daquele de salvar vidas, como aprimorar aspectos da vida humana, por exemplo, por manipulação genética na busca da excelência cognitiva e influências em células-tronco.

É contexto onde se inclui a edição de genes humanos e a visão atual de cautela sobre o potencial de abusos (eugênicos) com consequências imprevisíveis além do uso previsto da tecnologia CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) para identificação e mudanças em sequências de genes em situações específicas de incapacidades. A Bioética interessa-se reconhecendo a natureza multidimensional das incapacidades, as limitações de atividades individuais e as restrições de participação social, bem como a conveniência de enxergar além do tipo de incapacidade, ou seja, apreciar os efeitos comportamentais e de recepção social. Em outras palavras, a complexidade e a diversidade das incapacidades humanas excede aspectos puramente genéticos para sentidos sociais e, assim, influi na percepção de importância da edição genética.

O alcance de um porvir predito como melhor que o presente – anseio do ser humano expresso no folclore como E viveram felizes para sempre – precisa, especialmente numa área como a saúde, satisfazer expressões de verdade (pelo conhecimento) e de valor (pelo desejo). No mundo real da beira do leito, traduz-se por atingir níveis de excelência energizados por projetos de perfeição.

Saltos para o amanhã envolvem horizontes desconhecidos e admitem o paradoxo da coragem referido por Rollo May (1909-1994): devemos nos comprometer por completo e ao mesmo tempo ter consciência de que podemos estar errados. Desejamos que o peso do problema transforme-se numa leveza pela solução, mas pode se dar o inverso e todos conhecemos o simbolismo da massa específica do chumbo não importa o quanto marca a balança. Sabe-se como providências beneficentes na área da saúde incluem chances de maus resultados em ausência de erro profissional e na dependência de circunstâncias previsíveis e imprevisíveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O esmero com a segurança do paciente é uma das expressões éticas no ecossistema da beira do leito e a prudência no comportamento é bem conhecida – e praticada- pelo profissional da saúde ético. Fidelidade ao futuro, equilíbrio entre o retrospectivo e o prospectivo e distinção entre eletivo, urgência e emergência são exigências éticas motivadas pelos riscos de danos (maleficência) associados ao compromisso com o potencial de benefícios.

Bioamigo, muitos desassossegos causados por convivências inevitáveis de convicções e dúvidas no ecossistema da beira do leito representam protestos contra a existência da doença, do mal-estar e da morte e um dos calmantes é a expectativa de serem eliminados da lista de ilusões pelo concurso da tecnociência pelas mãos do profissional da saúde.

A esperança pelo bem admite níveis de pensamentos metafísicos e racionalidades que não podem deixar de repercutir Salvador Dali (1904-1989): Não tema a perfeição, você nunca a alcançará mesmo. A combinação desta visão do artista surrealista com a do psicólogo existencialista acima mencionada converge para um propósito maior do exercício das ciências da saúde no ecossistema da beira do leito: melhor com cautela. Traz à tona o otimismo da consciência de segurança sobre o novo e, por conseguinte, um Alô Bioética!

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