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967- Treinando crítica do rascunho em serviço (Parte 12)

Embora o conflituoso Não doutor traga maior densidade de apreciação ética, moral e legal, a prática registra a majoritária predominância do Sim doutor. 

Nem sempre é fácil distinguir, entretanto, entre o Sim doutor derivado de um pensamento de primeira ordem, não reflexivo e o sustentado por um pensamento de segunda ordem, uma realização bem consciente e estruturada.

A Bioética da Beira do leito entende que cabe sempre ponderar a validade de cada consentimento livre e esclarecido num determinado atendimento, inclusive tendo em mente que ele é também revogável e renovável.

Embora minoritários, a análise de cenários associados a um Não doutor recomenda a necessidade de um treinamento do profissional da saúde para comportamentos reativos. Exemplos de situações incluem: o paciente que logo após internar revoga o consentimento para a cirurgia eletiva dado no ambulatório e solicita alta imediata; dúvidas sobre até que ponto a renovação do consentimento faz-se obrigatória para a inclusão de providências terapêuticas de risco para o paciente que apresenta uma intercorrência pós-operatória que impede a alta hospitalar.

Um aspecto do treinamento crítica do rascunho em serviço é trabalhar reações nada raras de indignação profissional às contraposições inesperadas do paciente claramente na contramão  da beneficência e que são dependentes de egocentrismo sobre a objetividade da perspectiva profissional, muitas vezes uma centralidade em diretriz clínica como a única justificativa aceitável. 

Paciente, familiar, amigo, colega são designações na formação da peculiar comunidade de interpretação atuante na beira do leito circunstancial, que muito embora comunhão leiga tem vigor ético e legal para alinhar-se ou desalinhar-se com a comunidade de interpretação do saber especializado. Saber de si próprio pode resultar ajustado com saber para ti.

É do cotidiano da beira do leito que certa proporção de Sim doutor deve-se a fortes influências de circunstantes, que após conseguirem reverter uma propensão ao Não doutor, assumem uma condição de responsável oculto na tomada de decisão. A vivência na beira do leito indica que caso haja má evolução clínica pós-procedimento consentido, este desconhecido tem o potencial de tornar-se comburente para cobranças e conflitos por um deslocamento de certo sentimento de culpa.

As contraposições entre respeito técnico pela beneficência/não maleficência e respeito à pessoa pelo direito à autonomia constituem parcela substancial do treinando crítica do rascunho em serviço. A Bioética da Beira do leito argumenta que precisa ficar claro que ter um martelo à mão não significa que o prego deva obrigatoriamente ser martelado, a análise crítica é essencial pelas possibilidades não somente do excesso de maleficência biológica, como também de “maleficência à opinião”.

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