3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

966- Treinando crítica do rascunho em serviço (Parte 11)

O princípio da beneficência conforme exposto no já quarentenário Relatório Belmont para a pesquisa e ulteriormente transplantado para a assistência sustenta uma conduta validada para uma coletividade do caso, mas não é eticamente suficiente no atendimento contemporâneo.

Há o princípio da não maleficência que ampara a individualidade do paciente e transforma a conduta cientificamente validada como útil e eficaz em conduta recomendada, o que ainda não é eticamente suficiente.

Há o direito à autonomia pelo paciente que possibilita ajustes a seus desejos, preferências, valores e objetivos e, assim, transforma a conduta recomendada em conduta consentida e esta é suficiente para sustentar a aplicação zelosa.

Ao longo de poucas décadas, três letras – Sim ou Não – do paciente, ganharam hierarquia de linguagem no principialismo, salvo numa situação de iminente perigo de morte reversível. É aspecto social relevante das ciências da saúde que representa principalmente uma proteção ao direito de dizer Não, ou seja, em que a autodeterminação da pessoa capaz em ausência de situação de emergência pode sobressair-se.

Um Não do paciente implica que o esforço de foco para desvendar a doença e estabelecer estratégias terapêuticas e preventivas até então consentido pelo paciente para o diagnóstico torna-se desfocado.

Esta consideração á ênfase para o treinamento em tolerância, a virtude que segundo o filósofo André Comte-Sponville (nascido em 1952) só vale para questões de opinião.

Faz parte do treinamento crítica do rascunho em serviço a conscientização que a autonomia do paciente  que subsidiou um Não doutor pode aparentar intrínseca, ou seja, uma decisão 100% concebida desde o paciente, mas, é mais real que ela tenha sofrido influências até bem fortes de circunstantes, caracterizando a autonomia de relação.

A autonomia pura pelo paciente na beira do leito subentende o seu forte compromisso com motivações internas, respeito a próprios valores e crenças, o que supõe a tendência de independente do outro – profissional da saúde ou circunstante- para tomar decisões. Idealmente, seria um indivíduo competente para pensar criticamente, identificar carência de justificativas e evitar eventuais irracionalidades em recomendações, além de  ser contumaz  questionador do efeito manada.

Mas, nesta idealidade, ele não é um preconceituoso com as ciências da saúde, um teimoso refratário a uma mudança ou mesmo um irresponsável com sua saúde. A condição de leigo obriga-o a ser tocado pelo impacto da conformidade às ponderações tecnocientíficas que puxa para uma situação de passividade catalisada pela vulnerabilidade de paciente. Por isso, a alta probabilidade de aqueles muito autoconfiantes espelharem-se em familiar ou em amizades. Assim, o predomínio da autonomia de relação, que, obviamente, não deixa de incluir um contingente de pacientes que desejam fugir da responsabilidade decisória, onde o Sim doutor é menos um consentimento-  passível de um Não–   e mais uma aceitação – sem chance de um Não.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts