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964- Treinando crítica do rascunho em serviço (Parte 9)

O paciente/familiar é habitual leigo em ciências da saúde, nenhuma novidade bioamigo, mas,- sempre tem um mas- esta condição significa alta chance de interpretação do tecnocientífico em conformidade com a cognição que acumulou em sua trajetória de vida, o que é plena de incógnitas para o profissional da saúde.

Um Sim doutor à recomendação terapêutica representa confiança, consciência da necessidade da resolução cogitada e, não necessariamente, alguém que se tornou preparado para conseguir repetir com fidelidade o que ouviu.

Como se diz, ele captou a sua maneira e predisposto pelas repercussões da doença consentiu. A beira do leito como um ambiente  tornado útil para acolhimento da vulnerabilidade do paciente.

A Bioética da Beira do leito entende que há uma facilitação do entendimento entre as comunidade de interpretação leiga e profissional – importante, por exemplo, no processo de esclarecimento visando ao consentimento do paciente- quando o profissional da saúde relembra como se deu sua trajetória desde a entrada na faculdade.

Em outras palavras, quando se conscientiza que ingressou leigo como o seu paciente, mas, como este agora, sendo já um sujeito moral decorrente de uma bagagem pré-profissional – fruto  de aparelhos prescritivos diversos como família, escola, convívio social, leituras, etc…

A partir do desenvolvimento da graduação, o profissional da saúde vai fazendo ajustes na bagagem pré-profissional, sensíveis à específica ética da profissão e que determinam diferenças de interpretação que agora precisam ser consideradas no processo prudente sobre a conduta, na recomendação individualizada com tolerância a contraposições do paciente. O direito à autonomia pelo paciente lida, justamente, com a sujeição aos componentes desta progressão que precisa ser inserida no processo de profissionalização. Como legado pelo Prêmio de Física Nobel Niels Bohr (1885-1962): o oposto de uma declaração verdadeira é uma declaração falsa, mas o contrário de uma verdade profunda é outra verdade profunda. 

O conceito de comunidade de interpretação exalta a necessidade do treinamento crítica do rascunho em serviço como minimização de um sentido torre de Babel na beira do leito. Mentalizando “dialetos” de especialidades e do leigo, pode-se ouvir e entender na beira do leito a linguagem da medicina, a linguagem da enfermagem, a linguagem do familiar, etc… 

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