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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

937- Sonhar, acreditar, realizar (Parte 2)

A Bioética interessa-se por relacionamentos profissionais alinhados à medicina e aos cuidados com a saúde de modo geral na dedicada participação de Comitês de Bioética hospitalares e de disciplinas de Bioética em faculdades de medicina.

Compreende uma organização multiprofissional e transdisciplinar- consultores entre si- que proporciona solidez para a apreciação crítica de contextos éticos, morais e legais. A reunião produtiva de adeptos da Bioética forma uma versátil comunidade de interpretação. Um vantajoso capital profissional (aplicação do conhecimento), do paciente (razão de ser) e estrutural  (retenção do proveito).

Ressalte-se a carência de critérios indiscutíveis para adotar o termo bioeticista na militância assistencial, docente e de pesquisa da ética nas ciências da saúde. Verifica-se que uma voluntariosa dedicação à Bioética, comumente, mesclada às tarefas habituais de assistência na beira do leito, pesquisa em laboratórios e docência formal e informal. Assim, é entendimento da Bioética da Beira do leito que não se justifica associar os profissionais especialistas abrangentes e aprofundados em suas áreas de saber e dedicados militantes em Bioética a outro tipo de expertise em mesma dimensão de conhecimento que traga predomínio da denominação de bioeticista.  Por enquanto…

Reforça que a Resolução nº 2.221 de novembro de 2018 do Conselho Federal de Medicina não relacionou Bioética entre as 55 especialidades médicas e as 59 áreas de atuação reconhecidas.

Bioamigo, somos aprendizes formais e informais de Bioética ainda caçadores-coletores do intelecto engajados num projeto de desenvolvimento da Bioética que já se estende para produtivas semeaduras, colheitas, criação e disponibilização de matérias-primas intelectuais.

Há o interesse, há treinamento em serviço, mas, no fundo, não parece justificar-se considerar um conceito de um especialista moral atuando no pentágono da beira do leito. Pentágono-300x225.jpg

O militante aficionado em Bioética torna-se versado, qual um prático atento que julga atraente e incorpora tudo aquilo que possa ser de utilidade para o seu aperfeiçoamento. Ele é um questionador cheio de curiosidade e comprometimento perseguindo autenticidades e legitimidades. De certa forma, ele pensa como Michel Foucault (1924-1984): Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê é indispensável para continuar a olhar ou a refletir.

A Bioética da Beira do leito enxerga um denominador comum em militantes em Bioética, uma configuração irriquieta de mente tão crítica quanto estrategista que os torna sensíveis a questões da vida, da saúde e do meio ambiente em proporções individualizadas. A indiferença alineante parece ser a extrema contraposição do aprendiz  formal de Bioética.

Pensar Bioética representa desejo de uma evolução de si, um tipo de escolha que admite que nada é impossível embora sem ser aparentemente possível, inclui muitas pressuposições, estimula muita crítica, junta idealismo, razão e respeito pelo ser humano e não se acanha com certas ideias transgressoras. Toda potencialidade deve ser mentalizável para o bem do realizado.

Os múltiplos alicerces que foram considerados imprescindíveis para a robustez da Bioética sustentam as forças motivadoras para a expansão de conhecimentos além da moldura habitual, para a ultrapassagem de fronteiras com outras profissões em busca de mais expertise, para a incorporação de adaptações úteis, sempre visando proporcionar abrangência e profundidade a necessidades de intervenção. Pode-se vislumbrar analogia com a definição de filosofia feita por Epicuro de Samos  (341ac-270ac): Atividade que usa o raciocínio e o argumento rigoroso para fomentar o florescimento humano. 

A Bioética da Beira do leito entende que o equilíbrio do trato da ciência com o trato ético/moral/legal facilita reconhecer uma visão ajustada às necessidades de saúde individualizadas dos pacientes. Quem conhece paciente – expertise clínica- tem vantagens no lidar com a Bioética na beira do leito e quem tem mais profundidade em temas filosóficos são grandes contribuintes para a qualidade da humanização da ciência.

Os juízos tornam-se mais justificados porque as fronteiras disciplinares na transdiciplinaridade multiprofissional ficam menos rígidas e os lados mais compreensíveis. Evidentemente, há momentos mais científicos e há momentos mais metafísicos ao longo dos atendimentos. Conflito é palavra-chave no ecossistema da beira do leito, fonte de aprendizado, motivação para a militância em Bioética.

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