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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

930- Máscara, um próximo que distancia (Parte 1)

ObrigaçãoA Terra é um mesmo local há bilhões de anos, cada vez mais conhecida e modificada. Recentemente, estudando com netos recordei que o navegador Gaspar de Lemos retornou a Portugal em sua caravela da expedição de Pedro Álvares Cabral (1467-1520) para levar a carta de Pero Vaz de Caminha (1450-1500) dando a notícia do descobrimento do Brasil para o rei D. Manuel I, o Venturoso (1469-1521). Foi curioso como logo se pensou na contemporaneidade de um e-mail ou de uma mensagem por aplicativo para tal comunicação, inclusive com fotos anexo.

Em 1500, a doença infecciosa era a grande causa-mortis reconhecida e epidemias eram chamadas de pragas ou pestes. Geração após geração, médicos correram atrás de explicações científicas enquanto formulavam ideias. Só para citar um exemplo, a peste bubônica que assolou a Europa por cinco séculos (XIV a XVIII) e que levou à introdução do isolamento no campo e da quarentena para passageiros de navios provenientes do Oriente pela suspeita do papel de ratos embarcados – e suas pulgas-, só teve sua etiologia –Yersinia pestis- descoberta em 1894 pelo bacteriologista suíço Alexandre Emile Jean Yersin (1863-1943) com um microscópio bem simples. O coronavírus, neste inícío de século XXI,  foi isolado rapidamente e sua imagem ampliadíssima logo globalizada, sabemos da presença dele por exame laboratorial, mas as identificações não impediram que atravessasse qualquer fronteira, principalmente a interpessoal do contágio e se tornasse análogo às pragas de séculos passados.

Afora os surtos de febre amarela e de varíola, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, cerca de 400 anos desde o descobrimento, o Brasil sofreu com a gripe espanhola embarcada em navios e, atualmente, sofre com a globalização virótica via aérea. A pandemia do novo coronavírus após decolar da Ásia e fazer escala na Europa desarrumou nossos ecossistemas e expôs a conexão entre o desejo (presente), a esperança (futuro) e a fé (uma percepção de já realizado) na área da saúde com repercussão na econômica.

A pandemia enfatizou que há o que se pensa e há o que fato é. Além disto, ajudou  a perceber que o valor integra-se a nossos limites e que o significado articula-se além dos nossos limites. Fez entender que significados podem persistir externos e podem ser a nós incorporados. Ademais, mostrou que neutralidade é difícil – cada um tem a sua opinião qual sua própria escova de dente-, mas a imparcialidade é imprescindível, especialmente atrelada a seriedades como a ciência que não diz o que poderia ser, mas o que de fato é, não pode ser idealizada, não pode ser escamoteada… nem votada.

Nestes meses de 2020, o mundo real refém da pandemia foi  se delineando, eliminando pensamentos até inteligentes embora impertinentes, realçando a capacidade do ser humano de se adaptar e de reagir, encontrando caminhos preventivos e terapêuticos proporcionados pela reunião de expertises adrede acumuladas e de novas observações num feedback autêntico de dados e fatos e interpretações como evidências sustentáveis.

Em pouco tempo pelo relógio da História, as inteligências natural e artificial arrumaram muitos conhecimentos fisiopatológicos, terapêuticos e demográficos. Realçou-se que a biologia do Homo sapiens tem defesas tão eficientes quanto autoagressoras, seus remédios intrínsecos, naturais, provocam adversidades, estranhas relações riscos-benefícios ao redor do conceito de homeostasia.

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