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832- Difícil parar de cortar (Parte 2)

Estratégias tecnocientíficas indisponíveis até há pouco tempo na medicina exigem uma ampla plataforma de planejamento atapetada com virtude – prudência, boa-fé e tolerância- e com atitude transdisciplinar- rigor tecnocientífico, abertura para o desconhecido e tolerância a opiniões contrárias.

O manejo de objetivos complicados como presentes no caso exposto na parte 1 e associados a probalidades de vieses cognitivos na apreciação de riscos e danos requer saber e sabedoria. Uma conjugação que facilita a cada fronteira cinzenta entre avançar, recuar ou quedar atuar com sensibilidade ao princípio fundamental II do Código de Ética Médica vigente: O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.

As condições mais frequentes de urgência, em geral, adquiriram condutas éticas porque beneficentes com riscos intrínsecos aceitáveis. A circunstância clínica em questão acresce riscos próprios. Hesitações de aplicação de procedimentos conceitualmente beneficentes para a urgência são justificáveis, tendo o cuidado, entretanto, de evitar considerá-los como não indicação, o que porventura cabe é contra-indicação dada a específica condição grave de saúde do paciente.

Este aspecto ético do indicar ou não indicar traz uma verdade da prática contemporânea de alto interesse da Bioética da Beira do leito: Risco medidoA perspectiva de danos fala mais alto do que o panorama do benefício. O hipocrático primum non nocere de 26 séculos preserva-se imortal renomeado como princípio da não maleficência para o envolvimento com a realidade contemporânea de inexistência de algum potencial de iatrogenia na reciprocidade biológica a aplicações diagnósticas, terapêuticas e preventivas na beira do leito.

Por isso, a questão clínica da urgência intercorrente a um quadro clínico basal de suma gravidade aproxima no ecossistema da beira do leito um paciente grave, recursos abióticos aplicáveis, recursos humanos multiprofissionais e pensamentos nômades. Fazer ou não fazer, o que fazer ou o que não fazer, como fazer ou como não fazer, quando fazer ou quando não fazer apresentam-se em visão 3 D (Dilema, Desafio, Dúvida) para o médico responsável pela situação de urgência enfrenta.

Franz Kafka, Tshirt, Orlandouma Biografia png transparente grátisLembra uma parábola de Franz Kafka (1883-1924): Há um personagem central (o médico responsável para cuidar da urgência) que se encontra confrontado por dois adversários. Um  está a sua frente (a reciprocidade incerta da situação clínica do paciente a indicações de benefício para a urgência), o outro está atrás (os médicos das morbidades crônicas preocupados com a urgência). A força atuante pela frente ajuda o personagem central (o médico responsável para cuidar da urgência) a enfrentrar a que está por trás e vice-versa. O personagem central (o médico responsável para cuidar da urgência) cuida para manter o seu próprio espaço entre as forças opostas. Em meio aos vaivéns para a frente e para trás, o personagem central (o médico responsável para cuidar da urgência) mentaliza possibilidades de saltar e pairar judiciosamente por sobre ambos impactos. Será a hora da sua decisão. Como exposto no parágrafo único do Art. 1º do Código de Ética Médica vigente, a responsabilidade médica é sempre pessoal. 

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COMENTÁRIOS

2 respostas

  1. Frente aos avanços científicos, a medicina se torna mais dificil cada vez mais na sua prática. A visão bioética do praticar a medicina coloca o profissional sob nova ótica. Não basta a boa fé: prudência e tolerância a opiniões contrárias conjugam o mesmo verbo praticar. Por outro lado, a sedução que a nobre arte exerce sobre as pessoas vocacionadas, torna muito difícil o “parar de cortar”.

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