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781- É anamnese, não amnésia (Parte 2)

A anamnese é um clássico. Um clássico da atenção do médico para com a saúde do paciente. Um clássico da oportunidade do paciente expressar-se para o médico.

A anamnese é, pois, uma disposição recíproca humana, que antes de ser um ato médico é um ato de solidariedade. De fato, na Babilônia, muito antes de Hipócrates (460 ac-370 ac), doentes sentavam-se em praça pública e os transeuntes se interessavam em ajudar, por exemplo, indagando sobre o que se passava e reportando benefícios alcançados em situações semelhantes.

Nesta segunda década do século XXI de tanta preocupação com os efeitos da tecnologia de comunicação sobre o vis-à-vis, em meio a tantas mudanças nas maneiras  de verbalização, a anamnese sobrevive como um original definitivo. Ela simboliza a interpessoalidade na medicina que visa a aplicar beneficência/não maleficência para reverter/controlar incômodos sustentada por informações sobre várias facetas, clínicas, psíquicas e sociais, diretamente transmitidas pelo paciente.

Mas, afinal, o que faz da anamnese um clássico da conexão médico-paciente-medicina? Qual é a sua importância para o aprendizado da medicina ou para a resolução de um caso clínico? A não tomada da anamnese fora de uma situação de emergência é  uma infidelidade ética, uma imprudência?

Qualquer resposta obriga-se a considerar o vigor penetrante e atemporal da contribuição singular que é continuadamente obediente a seus propósitos habituais de balizamento de abertura para o atendimento.

Há um universo próprio da anamnese milenar e alinhado a um contexto peculiar que mantém a sua posteridade.  O progresso da medicina nunca dispensou a anamnese, pelo contrário, sempre precisou do vínculo como referência, como inspiração, como aprovação. Em outras palavras, o alcance da anamnese é essencial para plasmar o desenvolvimento da medicina.

A voz do paciente que ressoa na mente do médico ético como uma queixa clínica ao ser apreendida pelo médico é marco da responsabilidade, então, assumida, ou seja, elimina a indiferença.

Pela condição de um clássico, a anamnese admite o rejuvenescimento dia-a-dia, como nas palavras do poeta modernista Ezra Pound (1885-1972), carrega uma juventude inesgotável e incontestável.

A Bioética entende que o médico ético exige-se tomar a anamnese menos por obrigação profissional e mais por imperativo pessoal, uma a uma faz renascer a vocação.

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