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719- Time, memória e preocupação (Parte 1)

TIME 22TIME 22O médico como agente da medicina, uma tradição que se renova incessante por séculos a partir de uma contracultura ao sobrenatural desenvolvida por Hipócrates (460ac-370 ac).

No imaginário popular, o médico encaminha o bem e bloqueia o mal. Na autoimagem, o médico se vê num ecossistema lidando com doenças e remédios e cuidando do equilíbrio entre ciência e humanismo.

Um autodidatismo é necessário para a evolução profissional do médico. Permite-lhe compreender com mais abrangência e profundidade o real significado de ser agente do bem e de evitar-se fonte do mal no manejo quer de  técnicas, quer de palavras.

De modo padrão, o médico desenvolve segurança profissional, eficiência e curva ascendente de realização de potencialidades, por meio da curiosidade e da sensibilidade que fazem recolher observações desde os pacientes e as depositar num banco de fatos e dados. O médico assim investe na poupança da experiência.

Atualmente, este pecúlio intelectual qualifica-se na composição com a utilidade e a eficácia, a evitação de danos e a tolerância a outras vozes ativas, respectivamente integradas aos princípíos da Bioética nomeados como Beneficência, Não maleficência e Autonomia.

A excelência projeta-se da conjunção da experiência pessoal de fato vivenciada  com a experiência coletivizada proporcionada pela globalização com domínio da via literatura. Este hibridismo possibilita dividendos e correções na poupança que é idealmente tripartite: do saber, da aptidão e da empatia.

Ocorre uma analogia com o paradoxo do buraco quanto mais se tira o conteúdo, maior ele fica. Na beira do leito, de fato, quanto mais o médico saca desta poupança para dar atendimento a pacientes, mais ele aumenta o seu patrimônio profissional. Por este paradoxo da beira do leito, os valores depositados adquirem o direito ao acréscimo das atualizações e, assim, desenvolve-se a riqueza profissional chamada competência: conhecimento+habilidade+atitude. Normas e verdades.

Hoje em dia, fala-se em time, ou seja, a reunião de competências multiprofissionais para permitir melhor usufruto dos contínuos ganhos da medicina contemporânea. É  designação interessante que  dá a sensação do pertencimento. O significado de reunião em time na beira do leito não deve ser, entretanto, o preparo para uma competição, mas o de agregação para um determinado fim de sáude.

É contexto que faz do paciente parte integrante do time. É ele quem fornece o âmago dos dados e fatos e tem o poder do Siga e Pare (consentimento), um agente moral do atendimento que compreende, faz escolhas e decide. Sem ele, a medicina é um texto disciplinar sem contexto social. Nas palavras de um mestre: sem paciente a medicina é uma biblioteca abarrotada ao lado de ambulatório e enfermaria vazios numa manhã de trabalho, um desperdício.

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