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716- Pater (Parte 2)

Idealmente desprovido de superioridade arrogante, o médico, por ofício, possui os saberes e as habilidades especializados e, por isso, é procurado. O paciente reconhece o desnível e aguarda esclarecimentos redutores das diferenças, até porque será matéria-prima para a prática do direito à autonomia. Uma vez a par do que é recomendado fazer, o paciente consnete ou dissente.

Sendo tudo concretizado com boa-fé nas interfaces entre medicina, médico e paciente, vale dizer, em prol do paciente, nada deve ser visto, em princípio, como negativo. Mas pode ser indesejado. Fatores pessoais do paciente e influências de distintas naturezas podem monopolizar a tomada de decisão sobre conduta.

A linguagem pode fazer enorme diferença e a superficialidade na análise provoca lacunas. O bom esclarecimento  capacita o paciente a ter uma voz ativa e positiva. Em outras palavras, aspecto negativo da comunicação é a carência de compartilhamento das fundamentações com efetiva compreensão para a tomada de decisão.

O item intenção do médico distinta da do paciente pode ser admissível, aliás, acontece com frequência durante o atendimento. O significado do termo é claro, trata-se de momentos de exteriorização de propósitos, potencialidades que antecedem as realizações.

A intenção é ponto de partida, não de chegada, de um caminho complexo, com realidades e ilusões que precisam ser distinguidas num clima habitual de objetividades e subjetividades, racionalidades e emoções. Ao final do processo de tomada de decisão, preferências do paciente e ditames da consciência do médico podem persistir distintamente intencionadas e o posicionamento de boa-fé do médico, estacionado, não deve caracterizar um aspecto negativo.

O item interferência coercitiva nas escolhas do paciente feita pelo médico é o fundamental numa apreciação do paternalismo na beira do leito. Ele caracteriza o paternalismo forte e o distingue do paternalismo brando. É sustentado tanto por modos violentos de comunicação pretendendo forçar um Sim, quanto por aplicações de métodos desrespeitosas à manifestações de Não do paciente.

Toda beira do leito tem suas disfunções como têm as famílias, por isso, qualquer análise sobre o termo paternalismo na conexão médico-paciente precisa considerar pelo menos três atributos: a boa-fé, a tolerância e a confiança. Elas evitam açodamentos de etiquetagem de paternalismo como efeito do uso do termo com superficialidade de significado. A Bioética da Beira do leito estimula o diálogo antiviolência na beira do leito!

 

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