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632- Bioética da Beira do leito 2019 (Parte 5)

A Bioética da Beira do leito reconhece que o médico não deve pretender que valores e vontades do paciente estejam absolutamente afinados com o estado da arte em medicina. Por isso, ela reforça  gradações de subjetividades e objetividades na seleção de métodos requerem maturidade profissional para conciliar tecnociência e humanidades. Um corte cirúrgico é banal para o médico, porém a obrigatoriedade de acesso tem o potencial de adversidades e no mínimo uma cicatriz. Hipotensão postural medicamentosa e sintomática (gerando dilema entre suspensão pelo malefício real e manutenção pelo benefício concomitante), convivência com mutilação terapêutica (percepção individual de impacto negativo na qualidade de vida) e proposições de mudanças profiláticas de hábitos (dificuldade de renúncia a certos prazeres como fumo e alimentação) são gatilhos de ebulições à beira do leito. Efervescências conflituosas demandam o verdadeiro significado humano de uma conexão médico-paciente. A Bioética da Beira do leito oferece um desejável olhar ciclópico para interligar os estrabismos de opinião e facilitar uma visão de ajuste possível.

 A Bioética da Beira do leito representa uma barraca de campanha à beira do leito. Ela serve de abrigo para articulações das condutas clínicas estado da arte com circunstâncias éticas e legais. Promove uma atmosfera de dignidade (dignus, o que tem valor), que como referido por (Ralph Waldo Emerson, 1803-1882), não é para ser defendida, é para nos defender.

À medida que desacordos vão se tornando acordos, cresce o risco de os ajustes ao estado da arte gerarem uma visão de mal cuidar e decorrente enquadramento numa infração ética de negligência ou de imprudência, base para ações judiciais. É um terrível efeito colateral da humanização que  tem na Bioética da Beira do leito um fórum interdisciplinar para o  discernimento.

A individuação responsável quando fora de padrão compromete o porto-seguro da norma. A insegurança justifica a intranquilidade a respeito de substituição futura -sem prazo prescritivo- da aprovação pela indignação recriminadora que uma eventual má evolução clínica pode despertar.

A Bioética da Beira do leito coleciona  cotidianos pactos médico-paciente sobre potencialidades evolutivas no planejamento da conduta que são desditos por ocasião de resultados fora da expectativa.

A Bioética da Beira do leito compreende que o médico pode se sentir colocado em isolamento, como que apartado da medicina que ele jurou praticar, quando é solicitado a ajustar condutas de uma forma clinicamente preocupante. Ele precisa de um nível de maturidade profissional, tem que se valer de personalidade para o Sim ou o Não, especialmente, porque lida com hipóteses e não com certezas diagnósticas.

Algumas frases utilizadas por médicos falam por si para demonstrar preocupações com críticas: aqui faço assim; sigo diretrizes para dormir tranquilo; eu não cuido deste paciente que já sei que vai se recusar a receber transfusão de sangue; se o paciente me procurou é porque quer que eu faça o que julgo melhor, não dou opções.

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