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616- Imparcialidade não exige neutralidade (Parte 1)

IatrogeniaO quanto de ineficiências e deficiências que a cada época convive com eficiências crescentes para formular diagnósticos exatos, tecer condutas terapêuticas reversoras  e prover prevenções salvadoras é ameaça constante para comportamentos de insatisfações dos pacientes e de representações de mau profissionalismo. Não faltam injustiças com profissionais dedicados para acentuar o valor de medidas elucidativas antecipatórias pela boa comunicação e da compreensão de fatores intervenientes.

Nem sempre é fácil para o leigo ajuizar resultados clínicos não exitosos e peculiaridades do atendimento em si. Neutralidades e imparcialidades sobre causas ficam frequentemente prejudicadas nas interpretações quanto a limites da medicina e desempenho profissional. Razões e emoções sobrevoam as mentes envolvidas e aterrizam com juízos distintos no campo da ética e do direito. Cefaleias profissionais prolongadas são sintomas nada idiopáticos, em geral têm causa definida e… evitável.

Já ouvi muitas suposições de imprudência e de negligência por parte de pacientes e de familiares. Já orientei sequentes residentes sobre a liturgia da prudência e do zelo. Já sofri algumas insinuações de comportamento imprudente e negligente. Faz parte dentro das probabilidades estatísticas do acúmulo de vivência na beira do leito. Ao mesmo tempo, procuro conscientizar que a prudência na escolha e o zelo com o escolhido estão limitados  ao conjunto disponível, vale dizer, ao recurso validado e existente.

Entendo que a prudência atua no processo de tomada de decisão e que o zelo refere-se especialmente à aplicação do decidido e consentido. Por isso, muitas verbalizações como um caso de negligência- o termo mais usado pelo leigo- expressam, na verdade apreciações sobre o (não)uso da prudência.

É desejável que o paciente esteja envolvido o mais cedo possível no processo de tomada de decisão para que possa melhor conhecer as limitações da medicina e reconhecer o empenho profissional para se posicionar em prol das eficiências de momento. Isto dá importância ao significado de neutralidade no que se refere ao paciente, pois a sua participação atenta tem o potencial de gerar opiniões sobre o desenvolvimento das providências.

Parece-me interessante registrar, pois, que a condição de leigo não faz, necessariamente, com o que paciente se mostre neutro no processo de decisão. O que acontece com certa habitualidade é que o posicionamento a uma recepção de informação por ele avaliada como desejada ou indesejada se restringe ao pensamento. Ou seja, ele pode não estar gostando do que está ouvindo sobre necessidades a serem cumpridas, mas sua não neutralidade está oculta e não tem expressão numa tendenciosidade para a manifestação do consentimento. O paciente vocaliza um sim que é tanto amargo no íntimo quanto imparcial no seu juízo de confiança na palavra do médico.

continua na parte 2

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