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589- Ritual na beira do leito

A percussão praticamente desapareceu do exame físico. Fruto da clinicofagia da imagem, no caso pelo advento da radiologia simples. Eu, particularmente, mantenho este método do exame físico, no tórax e no abdômen, talvez, para não quebrar um ritmo de semiologia clínica que ficou incrustado por um ensinamento que persistiu pelo terceiro ano da faculdade- diariamente acompanhava o professor junto com mais seis colegas e examinava vários pacientes de diferentes diagnósticos.

Adsorvi do mestre o prazer de identificar alterações internas do paciente tão somente pelo uso dos órgãos dos sentidos. Mas, o que perdura é o que muda – nos ensina o rio com sua renovação constante de água- e, assim, muita tecnologia surgiu nas últimas décadas- ampliando a qualidade do diagnóstico.

Entretanto, o ritual  não mudou, o curso da investigação diagnóstica deve correr da cabeceira para o mar, ou seja, o exame físico – junto com a anamnese- mantém-se como a fonte e as águas são engrossadas pelos afluentes da alta tecnologia.

É atraente terceirizar para as máquinas o reconhecimento de alterações nos órgãos, algo como uma macroscopia   não invasiva, o direto substituindo o indireto e que alimenta a fantasia de se percorrer um maravilhoso tubo diagnóstico numa esteira rolante e ao final ter tudo o que se deseja perfeitamente saber sobre a saúde e a doença da pessoa.

A medicina porque praticada caso a caso alinha-se com a bioética principialista para melhor refletir sobre o ritual do atendimento. Uma conclusão é que a atenção à beneficência/não maleficência fica prejudicada com a supressão  do exame físico – e anamnese- nos primórdios do atendimento pois subverte o fio condutor do raciocínio clínico.

Dar precedência ao exame de imagem, por exemplo, soa como um “contrabando”, algo que não segue o fluxo organizado e compromete o valor da miscigenação de métodos.

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